Imprensa que ataca a Venezuela ignora o golpe em Honduras

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Imprensa que ataca a Venezuela ignora o golpe em Honduras

A imprensa burguesa nos países atrasados tem um lado na luta política. O lado do imperialismo. Os grandes jornais, canais de TV e de rádio, assim como grandes portais de notícias na internet, defendem unanimemente os interesses dos países imperialistas. No Brasil, os jornais comemoram a venda do pré-sal para empresas estrangeiras e o fim da política de conteúdo nacional. Comemoram a derrubada de um governo nacionalista e sua substituição por um governo de funcionários de estrangeiros para vender o país a troco de nada.

Com esse programa de venda do país e de arrancar o sangue dos trabalhadores, pela exploração e pela repressão, a cobertura dessa imprensa em relação à Venezuela só poderia ser uma campanha mentirosa contra o governo. Na Venezuela, o governo nacionalista burguês procura manter alguma independência e soberania enquanto tenta uma conciliação com o imperialismo. Essa relativa independência no país que tem a maior reserva de petróleo do mundo é imperdoável.

Por isso a imprensa burguesa no Brasil faz uma cobertura de cada acontecimento na Venezuela que possa ser explorado contra o governo, distorcendo os fatos em favor de sua campanha. Cada fila de supermercado é aproveitada para apresentar uma crise apocalíptica. Se acontece de faltar remédio distribuído pelo governo, lá está a imprensa para retratar o colapso de um país.

A vitória de Nicolás Maduro nas eleições constituintes e nas eleições regionais de outubro dificultaram a continuidade da campanha. A população do país “em colapso” apoia seu governo contra o assédio imperialista. Diante desse resultado eleitoral humilhante para a direita empregada do Tio Sam, a imprensa golpista nacional passou a chamar Maduro de “ditador”. Nem a oposição venezuelana questionou o resultado das eleições. Maduro é um “ditador” por vencer eleições.

A cobertura ostensiva em relação à Venezuela não se repete no caso de Honduras, onde nem a União Europeia reconhece o resultado das eleições, de tão escandalosamente fraudadas em favor dos golpistas que derrubaram Manuel Zelaya em 2009. Nesse caso não se fala em ditadura, porque a ditadura hondurenha é entreguista. A população de Honduras desafia aos milhares o toque de recolher imposto pelo governo e protesta contra a fraude eleitoral. A cobertura da imprensa burguesa é quase clandestina de tão pouco destaque que se dá ao problema. Essa cobertura mostra o quanto valem os jornais da burguesia.

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