Bolsonaro defende golpe militar, mas militares não defendem Bolsonaro

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Bolsonaro defende golpe militar, mas militares não defendem ele

Segundo o blogue “O Antagonista”, formado por jornalistas da direita ligados à rede Globo, como é o caso de Diogo Mainardi, o ex-senador Jorge Bornhausen teria afirmado para Eliane Catanhêde, colunista do Estado de S. Paulo e da Globonews que a cúpula militar não apoia a candidatura de Jair Bolsonaro: “O que os políticos falam contra o Bolsonaro conta a favor dele, mas quando os militares começarem a falar, aí, sim, isso vai pesar contra ele”.

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Segundo a matéria do blogue, os oficiais das Forças Armadas constituem a “mais forte oposição à candidatura de Jair Bolsonaro”.

Para os mais desavisados, a notícia pode soar estranha, mas não é. É preciso entender o caráter da candidatura de Bolsonaro. Embora seja um representante da extrema-direita, o ex-militar não é o representante legítimo dos donos do golpe. Por “donos do golpe” leia-se imperialismo, ou seja, rede Globo, banqueiros e capitalistas internacionais. A oficialidade das Forças Armadas responde aos interesses desses setores.

Bolsonaro é um candidato que representa a direita “não oficial”, ou seja, setores mais marginais e pequenos da burguesia e da classe média. Por isso ele não é o candidato dos militares, pelo menos não o candidato dos oficiais, que são o setor que tem influência sobre as baixas patentes.

É por esse motivo que a imprensa golpista, embora use Bolsonaro quando lhe convém, procura ataca-lo. Ele é um candidato perigoso para a burguesia já que representa a polarização política do País e pode resultar na instabilidade ainda maior do regime político. Por isso, os militares cogitam intervir na situação, mas não apoiar uma candidatura como a de Jair Bolsonaro. Pelo menos não em um primeiro momento.

Além disso, a candidatura de Bolsonaro representa um perigo para o candidato oficial da direita, que tudo indica nesse momento será mesmo Geraldo Alckmin (PSDB). A boa colocação de Jair Bolsonaro nas pesquisas pode representar o esvaziamento da candidatura tucana. Essa tendência é muito forte, pois expressa a profunda polarização política no País. Lula pela esquerda e Bolsonaro pela extrema-direita são a expressão dessa crise do regime político.

A continuar assim, por mais que se esforce em parecer um candidato bom para os grandes capitalistas e ao mesmo tempo rasgar elogios para os generais, o que está guardado para Bolsonaro no futuro é ser colocado para escanteio, não só pelos capitalistas, mas pelos próprios militares.

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