Derrotar o golpe é anular o impeachment e abrir caminho para um novo regime político

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Derrotar o golpe é anular o impeachment e abrir caminho para um novo regime político

O regime político vigente no Brasil foi estabelecido em 1988 pela indevidamente chamada “constituição cidadã”. Ele foi o resultado da profunda crise vivenciada pela ditadura no final dos anos 70 e início da década de 80, quando a classe operária brasileira decidiu se mobilizar e colocar a ditadura contra a parede. Assim, a ala “democrática” da burguesia procurou estabelecer um regime de conciliação. Para frear o desenvolvimento da classe operária brasileira, a burguesia teve de fazer concessões nas questões democráticas, ao mesmo tempo em que colocava na Constituição diversos elementos sutis (uns mais que outros) para, ainda sim, manter o controle total do regime político.

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Com a crise econômica iniciada na primeira década dos anos 2000, o status quo do sistema político internacional foi abalado. Desde o início desta década, o imperialismo vem tomando uma série de medidas para manter sua política de dominação mundial. Sendo assim, diversos golpes foram dados em inúmeros países – dentre eles, o Brasil.

Por meio de uma ação parlamentar, o impeachment, a burguesia golpista decidiu derrubar a presidenta Dilma, representante da esquerda no governo de frente popular. O processo foi fraudado e comprado pelos golpistas e uma pessoa legitimamente eleita por 55 milhões de votos foi derrubada por uma centenas de corruptos, com a participação mais ou menos passiva das Forças Armadas e do Judiciário.

Colocou-se no lugar Michel Temer, que não demorou a implantar as medidas demandadas pela burguesia. Entretanto, com o desenvolvimento da crise política, o governo ficou muito impopular e não está mais dando conta de aprovar as medidas da burguesia, como a reforma da Previdência. Agora, voltaram a mobilizar as Forças Armadas, o “remédio amargo” dos golpistas, que sucessivamente vêm ocupando espaços estratégicos para a intervenção militar, permitida pela Constituição de 88.

O que fica claro com o decorrer dos acontecimentos nacionais é que o pacto estabelecido entre a classe trabalhadora e a burguesia no final dos anos 80, que é a base do sistema vigente, está se esfarelando. A tendência é o surgimento de um novo regime político. O caráter fundamental deste novo regime depende necessariamente das forças sociais que irão liderar este processo de transformação. Assim, da mesma maneira que a burguesia pode impor um controle maior sobre o sistema, estabelecendo um regime que persiga a esquerda e os representantes dos trabalhadores, censure e elimine qualquer vestígio de organização operária; os trabalhadores podem se mobilizar e alcançar um regime mais democrático, que atenda mais profundamente aos seus interesses de classe e assim por diante.

Portanto, a mobilização política é de extrema importância. A esquerda deve se mobilizar amplamente pela anulação do impeachment – que a burguesia gastou milhões para efetuar. A anulação do impeachment seria uma derrota substancial para os golpistas e indicaria um ascenso das forças progressistas, um ascenso da classe trabalhadora no regime. Por isso, essa campanha, junto com os outros meios de luta contra o golpe (como a luta contra a prisão de lula e o golpe militar), é essencial se quisermos o estabelecimento de um novo regime com base nos trabalhadores, e não no imperialismo.

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