Assassinos do Carandiru foram promovidos

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Em outubro de 1992, no complexo penitenciário do Carandiru, teria ocorrido uma revolta generalizada entre os presos, que vivam sob condições desumanas, em celas super lotadas, sem os direitos mais elementares.

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A revolta no presídio, que já estava fora de controle fazia tempos, foi o pretexto para que as forças de repressão da época invadissem a Casa de Detenção e promovessem o maior massacre já conhecido no Brasil dentro da cadeia, o Massacre do Carandiru.

Presos foram executados da maneira que se encontravam. Para você ter uma ideia, teve gente que se escondeu dentro de sua própria cela, trancada, embaixo das camas, e os policiais disparando de fora das celas, contra todos os detentos. Muitos, inclusive, se deitavam ao chão e se fingiam de mortos, para escapar do massacre. 

Não se sabe a quantidade de mortos. Oficialmente chegaram ao número de 111 mortos, mas, pelos testemunhos, o número pode ter passado dos 500.

Os autores desses massacres, ao contrário do que se poderia pensar, foram promovidos dentro da Polícia Militar. Dos 74 PMs (policiais militares) processados por participar do massacre do Carandiru, 58 (78,3%) foram promovidos entre outubro de 1992 e o presente ano, 2017.

São promoções que tiveram como aliado o Tribunal de Justiça de São Paulo, que, numa demonstração de que atua em conjunto com a PM. O TJ, em 2013 e 2014, anulou todas as sentenças condenatórias dos policiais envolvidos. 

Parte dos assassinos fazem parte da temida ROTA (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), que tem como um dos lemas: “deus cria, a rota mata”. É um grupamento que se você, negro ou pobre, se deparar com ele em determinados locais de São Paulo, por ser a última vez que você seja visto com vida.

Agora, promover gente que executou pessoas desarmadas, covardemente, é uma demonstração da utilidade do estado para a burguesia. É um sinal claro de que o estado está agindo contra a vida do povo negro e pobre, que, não só, o estado promove e da condecorações aos verdadeiros animais que estão matando o povo. 

É preciso entender que todo o ocorrido, o massacre, a anulação das penas dos policiais envolvidos, e, por fim, a promoção dos assassinos é a política da direita colocada em prática. 

É a política da mesma direita que derrubou o governo Dilma Rousseff, que está levando adiante o golpe de Estado no Brasil. Policiais assassinos, não só em São Paulo, mas no Brasil inteiro são condecorados na Polícia Militar, isso quando não assumem, diretamente, postos de comando dentro do Estado.

É uma política deliberada, consciente, de massacre do povo negro e pobre, dentro ou fora do sistema penal. Todo um exército organizado para controlar a população, o que também explica as intervenções militares no Rio de Janeiro, por exemplo.

Essas informações deixam claro que o negro precisa se organizar para enfrentar esses ataques, reagir à altura diante das investidas do braço armado do Estado. Não existe outra alternativa, o regime não permite.

Os golpistas que assumiram o poder, em grande parte militares, sabem disso e estão se precavendo do problema, já estão avançando contra os negros e pobres em todo território nacional, numa tentativa de impedir sua organização.

É preciso ter claro que a organização do negro para lutar por sua vida, por sua defesa, precisa ser levada adiante imediatamente, pois o regime golpista, que está em crise, vai avançar, em primeiro lugar, como a população historicamente tida como perigosa pela burguesia, o povo negro.

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