Assassinato do ex-presidente do Iêmen intensifica crise no Oriente Médio

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Segunda-feira (4), o ex-presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, foi assassinado em Saná, capital do país. Saleh foi atacado por milícias Houthis, que em 2015 tomaram a capital e derrubaram o governo do presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi, atualmente exilado na Arábia Saudita. Até sábado, dois dias antes de ter sido atacado, Saleh era aliado dos Houthis.

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No sábado, Saleh fez um anúncio na TV rompendo a aliança com os Houthis, xiitas apoiados pelo Irã, e anunciou que estava disposto a levar adiante negociações com a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, que está atacando o Iêmen e disputa com o Irã maior influência no Oriente Médio. Os Houthis então acusaram-no de traição. No dia da morte de Saleh, uma casa que pertencia ao ex-presidente foi bombardeada e o secretário geral de seu partido (Congresso Geral Popular), Yasser Al-Awadi, também foi assassinado.

Antes de sua morte violenta essa semana, Saleh sempre foi uma figura de primeiro plano da política iemenita. De 1978 até 1990, Saleh foi presidente do Iêmen do Norte, tornando-se, a partir da unificação do Iêmen em 1990, presidente do Iêmen. Saleh só deixaria o cargo em 2011, derrubado por uma revolta popular no marco da Primavera Árabe.

A morte de Saleh deve aprofundar a crise em toda a região. O presidente exilado Hadi, que tem apoio da Arábia Saudita, chamou a população iemenita a se revoltar contra os Houthis. Um chamado dirigido a conseguir apoio dentro do Iêmen para a ofensiva saudita contra o país. Para controlar o país, vizinho de uma área importante no deserto onde o governo saudita pretende construir um polo industrial, os sauditas estão atacando com muita violência o Iêmen, com uso de intensos bombardeios e um bloqueio econômico que atinge o conjunto da população com falta de produtos básicos como comida e remédios.

A catástrofe humanitária no Iêmen é responsabilidade do imperialismo e da Arábia Saudita, que exploram e instigam o conflito no país para promover uma guerra terceirizada contra o Irã. A população do Iêmen, país mais pobre do Oriente Médio, está pagando muito caro por essa guerra.

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