Na Líbia destruída pelo imperialismo, refugiados negros são leiloados como escravos

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Na Líbia destruída pelo imperialismo, refugiados negros são leiloados como escravos

A Líbia já teve o maior IDH da África. Hoje, o país não tem um governo central que efetivamente administre todo o território nacional. A desintegração do estado nacional líbio é o resultado de um golpe de estado patrocinado e apoiado militarmente pelo imperialismo. Em 2011, Muamar Al Kadafi foi derrubado violentamente do governo durante uma revolta armada apoiada por bombardeios estrangeiros.

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Navios e aviões franceses, britânicos e norte-americanos, entre outros, em um esforço conjunto sob o comando da OTAN, atiraram mísseis e bombas sobre posições do governo sírio enquanto Kadafi enfrentava uma revolta armada em diversas cidades. Fragilizado, o governo acabou caindo, e Kadafi foi linchado e assassinado no meio da rua na cidade de Sirte. O estado líbio até hoje não se recompôs, em um país dividido por tribos e por interesses estrangeiros antagônicos. Mesmo o petróleo líbio, motivo da intervenção estrangeira, nunca recuperou o ritmo de produção de antes da guerra.

Neste cenário de devastação, a Líbia virou caminho para refugiados de todo o continente e da Síria a caminho da Europa. Gente que deixa tudo para trás fugindo de guerras e de perseguição de seus governos para tentar viver em outro continente. Muitos gastam todo o dinheiro que têm para chegar até a costa da Líbia e tentar atravessar o oceano em direção à Europa.

A combinação entre a falta de um estado nacional e a fragilidade dos refugiados criou um ambiente propício para mercadores de escravos agirem no país. Notícias de que pessoas estavam sendo vendidas como escravas na Líbia já tinham aparecido nos últimos meses. Esse mês, no entanto, uma reportagem do canal de TV norte-americano CNN, assinada por Nima Elbagir, Raja Razek, Alex Platt e Bryony Jones, registrou imagens dos leilões acontecendo. Uma pessoa aparece sendo vendida por US$ 800. Um nigeriano ouvido pela reportagem em um campo para refugiados declara também ter sido vendido, e mostra ferimentos que sofreu enquanto era forçado a trabalhar como escravo.

Esse é mais um resultado trágico da intervenção imperialista nos países atrasados para garantir seus interesses à força. A derrubada de Kadafi provocou uma crise humanitária na Líbia e deixou o país destruído e sem unidade. Mesmo destino que a Síria teria tido se Bachar Al Assad não tivesse resistido, com ajuda do Irã e da Rússia. Além da destruição da Líbia, a Europa também tem dificultado a entrada de refugiados pelo mar, o que também piora a situação dos refugiados na Líbia e os expõe à exploração do tráfico humano e dos mercados de escravos. Um inferno criado em nome da “democracia”, que serviu de justificativa para derrubar Kadafi.

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