Mulheres: cidadãs de segunda linha para o capitalismo

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Mulheres: cidadãs de segunda linha para o capitalismo

Na EasyJet, a maior empresa aérea de baixo custo do Reino Unido, que até a metade de 2017 movimentou mais de 344 milhões de euros, é uma das maiores empresas que mais possui uma disparidade de salários entre homens em mulheres. Os funcionários homens da EasyJet ganham em média 51,7% a mais do que as mulheres. A diferença salarial entre homens e mulheres nesta empresa é superior à divulgada até o momento por instituições de serviços financeiros como Virgin Money, Aldermore e TSB Banking Group, todas com níveis em torno de 30 por cento. Na semana passada, o Banco da Inglaterra divulgou uma diferença média de 21 por cento.

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No Brasil, a diferença salarial entre homens e mulheres bate recorde no estado de São Paulo, as trabalhadoras brasileiras recebem equivalente a 84% do salário dos homens no Brasil, as informações são do Ministério do Trabalho, com base na RAIS (Relação Anual de Informações Sociais). O salário médio dos homens foi de R$ 2.886,24 no ano passado, e o das mulheres, de R$ 2.427,14. Considerando a remuneração de todo o ano passado e o 13º salário, as mulheres receberam, em média, R$ 6.000 a menos que os homens.

Segue o estado de São Paulo na disparidade salarial, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Espírito Santo. A desculpa para a diferença salarial, entre homens e mulheres, que a direita gosta de repetir é a de que as mulheres optam por posições com “mais flexibilidade”, o que pode interferir no salário. A “flexibilidade”, usada como desculpa pela direita, é a obrigação da mulher de cuidar de seus filhos e da casa, com quase nenhum auxílio do estado, e assim deixar como segundo plano sua vida profissional e produtiva. As mulheres não “optam” por empregos “mais flexíveis”, sobram para as mulheres os piores empregos, com as mais baixas remunerações, pois ainda a mulher não se livrou do fardo da escravidão doméstica.

Para o sistema capitalista, a direita, e os golpistas no Brasil, é confortável ter na sociedade cidadãos de segunda linha que podem ser ainda mais explorados que os trabalhadores em geral. Assim como as mulheres, os negros são a base da pirâmide social. A “discriminação” e a inferioridade das mulheres no mercado de trabalho, nada mais é uma justificativa para a escravidão doméstica e todos seus outros problemas democráticos não resolvidos (como a liberdade sobre o próprio corpo, salários mais baixos, etc.)

O necessário para os setores oprimidos é entender que a opressão cotidianamente sofrida apenas pode ser combatida politicamente. É preciso derrotar o poder político das classes dominantes que perpetuam o status quo econômico e político. Obviamente, o sistema capitalista e as revoluções burguesas não resolveram senão minimamente estes problemas. Mas por muito tempo, por exemplo, negros e mulheres não tinham direito de votar; hoje no Brasil, as mulheres correm o risco de terem todos os mínimos direitos garantidos revogados, como o aborto em caso de estupro ou risco de vida da mãe, além da falta de emprego, creches públicas e diminuição do salário mínimo.

O golpe no Brasil já declarou guerra contra os direitos das mulheres, dos negros, dos trabalhadores e das minorias políticas. Para lutar contra o latifúndio, contra a retirada dos direitos trabalhistas, contra o fim das políticas públicas, contra a supressão dos direitos democráticos e contra a repressão do estado, é necessário lutar de conjunto contra o golpe e os golpistas.

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