Derrotar o golpe é a alternativa à intervenção militar

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Derrotar o golpe é a alternativa à intervenção militar

A esquerda pequeno-burguesa é dada a fórmulas mágicas para entender e agir na situação política. Isso pode ser verificado muito claramente na trajetória da luta contra o golpe, desde quando a direita iniciou seus primeiros movimentos no tabuleiro para derrubar o governo do PT.

Rascunho automático 67

As fórmulas eram as mais variadas possíveis. Houve inclusive os que disseram que nem golpe haveria e que a fórmula mais correta era o “Fora, todos! Já que todos são iguais”. Estamos falando nesse caso do PSTU e seus apêndices morenistas.

Durante o movimento de luta contra o golpe várias fórmulas apareceram, todas, por mais justificativas que pudessem ser apresentadas, tinham um objetivo prático bem claro: impedir que a luta contra o golpe e os golpistas se desse num terreno aberto e político. É aí que apareceram, num primeiro momento, os que defendessem trocar a palavra de ordem de “abaixo o golpe” pela de “abaixo o ajuste”. Isso só para ficar em um exemplo.

Houve também os que procuraram substituir a luta contra o golpe por reivindicações inócuas como as “diretas já!”. Agora, a nova fórmula, à medida que se aproxima 2018, são as eleições. Todos os grupos, incluindo logicamente o PT, querem acreditar que basta uma boa candidatura para que tudo esteja resolvido. A frase que melhor expressa essa ideia é a dita pelo senador petista pernambucano, Humberto Costa, para as páginas amarelas da Veja: “temos que virar a página do golpe”.

Da parte da esquerda pequeno-burguesa tipo PSTU, PSOL e PCdoB, as eleições não são nada mais que a mais pura ilusão. Já ficou claro nas eleições de 2016 que com o controle da direita golpista a esquerda tende a ter sua votação diminuída.

Já o caso da candidatura de Lula é diferente. Lula não só é o candidato mais bem posicionado na esquerda, mas é o candidato que pode ganhar efetivamente a eleição. Na realidade, sua vitória estaria certa se as eleições ocorressem normalmente. Mas aí é que está o problema.

O golpe foi dado não para derrubar Dilma e deixar que tudo voltasse ao normal depois. A direita derrubou Dilma para impor ao País um regime de total controle político para que pudesse colocar em prática seus planos. Lula está sendo perseguido diariamente nos tribunais e na imprensa burguesa. Lula só será candidato se uma enorme mobilização contra o golpe impedir sua prisão e garantir as eleições.

É importante repetir: só fará sentido eleições se antes houver uma enorme mobilização.

Mas ainda há outro fator muito importante na situação. Os militares já anunciaram que têm planos para intervir no País. Essa intervenção tem como principal objetivo justamente impedir a eleição de Lula. O golpe militar é uma ação para impor uma ditadura no regime político que está em crise. O golpe de Estado aprofundou a crise dos golpistas que não conseguem manter uma estabilidade. O governo golpista é cada vez mais impopular, talvez o mais impopular da história. A crise institucional é cada vez maior e para resolver, pelo menos de um ponto de vista imediato, o problema, é preciso impor uma ditadura contra o povo.

A única garantia contra a intervenção militar e contra as medidas dos golpistas é a luta política contra o golpe. Não há fórmula mágica, é preciso enfrentar os golpistas, criar comitês de luta e anular o impeachment.

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