A política marxista e a questão do negro, das mulheres e das minorias

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A política marxista e a questão do negro, das mulheres e das minorias

O Dia de Luta do Povo Negro, 20 de novembro, colocou de volta a questão do negro no centro da discussão política. Sendo assim, é normal que volte à discussão algumas polêmicas relacionadas ao assunto. Para um partido revolucionário, é necessário contrapor as idéias revolucionárias às doutrinas pequeno burguesas, que muitas vezes acabam gerando inúmeras confusões na luta política.

Para grande parte da pequena burguesia, o centro da luta política do negro deveria ser contra a expressão ideológica do racismo e não a luta contra a exploração concreta do negro na sociedade capitalista. Assim, acreditam que os problemas reais do negro (discriminação, segregação, exploração e assim por diante) devem ser resolvidos em nível “espiritual”, como se fosse uma luta de idéias “boas” contra idéias “ruins”. Como se tudo fosse apenas uma questão de ignorância, e que na verdade o racismo deveria ser combatido no campo das idéias para “descontruí-lo”.

Na verdade, esta concepção ignora a relação material real que condiciona a exploração do negro, e faz um determinado tipo de “cristianismo” político (fantasia), achando que o problema do negro pode ser resolvido fora da luta política.

A análise pequeno-burguesa é puramente idealista, e volta aos tempos do iluminismo, quando acreditava-se que bastava “esclarecer” as pessoas para ter um mundo melhor. Para ocorrer uma emancipação efetiva dos setores oprimidos pelo capitalismo é necessário ter a compreensão correta do que gera sua exploração. Ou seja, é preciso entender que o racismo – assim como a homofobia, a misoginia, a xenofobia, etc. – é a expressão ideológica de uma condição política e econômica concreta.

O tratamento de pessoas como seres inferiores existe justamente para justificar a exploração real delas. Se o negro é oprimido hoje e sofre racismo não tem a ver com “idéias ruins”, mas com um modo de produção que o coloca na base da pirâmide social. Durante a escravidão do período mercantil, o negro era considerado como “coisa”, propriedade de uma pessoa. O racismo contra o negro se origina justamente da necessidade da classe capitalista mercantil da época de explorar o trabalho do negro.

Hoje em dia, com as vitórias parciais de maior ou menor importância conquistadas por eles no fim do século XIX, a opressão do negro se dá sob outras formas (bastantes parecidas), e se não é mais considerado como “coisa”, é pelo menos um cidadão de segunda linha, com menos direitos políticos democráticos e em um patamar de desigualdade na sociedade.

O caráter funcional do racismo, do machismo, da política contra os imigrantes e etnias, e todo tipo de opressão gerada pelas relações sociais, é a exploração destes determinados setores. Os nazistas usavam a “inferioridade” subjetiva dos judeus para colocá-los em condições de trabalho escravo em campos de concentração, assim como o negro em nível internacional à partir do século XV e XVI;  da mesma maneira, a “inferioridade” da mulher serve para justificar a escravidão doméstica e todos seus outros problemas democráticos não resolvidos (como a liberdade sobre o próprio corpo, salários mais baixos, etc.)

Então, o necessário para os setores oprimidos é entender que a opressão cotidianamente sofrida apenas pode ser combatida politicamente. É preciso derrotar o poder político das classes dominantes que perpetuam o status quo econômico e político. Portanto, a luta dos negros do século XIX foi no sentido de acabar com a escravidão, pelo trabalho remunerado e pela integração do negro com plenos direitos políticos. Obviamente, os sistema capitalista e as revoluções burguesas não resolveram senão minimamente estes problemas. Mas por muito tempo, por exemplo, negros e mulheres não tinham direito de votar; os primeiros foram segregados, proibidos de ter armas e assim também foram espoliados de seus direitos diversas parcelas significativas da sociedade.

A situação se modifica, mas depende inteiramente das forças políticas vigentes. Então, por exemplo, em um período revolucionário como 1917, quando ocorre a primeira revolução proletária, na Rússia, é normal que as mulheres e os povos oprimidos conquistem direitos políticos históricos significativos. Da mesma maneira, em momentos de ofensiva reacionária das classes dominantes, a tendência é o acentuamento da exploração.

O Partido revolucionário deve entender que para unificar a luta contra o poder das classes dominantes (e este é seu papel enquanto partido) ele deve levantar a bandeira de todos os oprimidos oriundos da sociedade. Portanto, o partido deve não só abordar as questões imediatas da classe trabalhadora, mas também dos problemas democráticos não resolvidos pelo capitalismo, como a questão das mulheres, dos negros, da juventude, dos povos oprimidos e assim por diante.

E, portanto, diante da conjuntura atual, a necessidade é a unificação de todos os oprimidos na luta contra o golpe de estado contra a ofensiva da direita golpista. O golpe já demonstrou claramente que é inimigo direto dos negros, das mulheres, dos trabalhadores e das minorias políticas. Para lutar contra o latifúndio, contra a retirada dos direitos trabalhistas, contra o fim das políticas públicas, contra a supressão dos direitos democráticos e contra a repressão do Estado, é necessário lutar de conjunto contra o golpe e os golpistas, que querem impor um estado constante de exploração acentuada.

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