Hariri voltou ao Líbano, mas não contará o que aconteceu na Arábia Saudita

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Hariri voltou ao Líbano, mas não contará o que aconteceu na Arábia Saudita

O primeiro-ministro do Líbano, Saad Hariri, reassumiu o cargo na semana passada, depois de anunciar sua renúncia no dia 4. O anúncio da renúncia foi feito de Riade, capital da vizinha Arábia Saudita. Na ocasião, Hariri atacou o Irã nos mesmos termos que a diplomacia saudita, e levantou suspeitas de que tivesse sido forçado a renunciar. Hariri leu o discurso da renúncia em um papel. No Líbano, suspeitava-se que Hariri tivesse sido forçado a renunciar e a fazer o discurso de renúncia naqueles termos.

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Na segunda-feira (27), Hariri não quis falar sobre o assunto em uma entrevista ao canal francês de TV CNews. Quando perguntaram sobre o que aconteceu na Arábia Saudita, Hariri, que negou que tenha sido forçado a qualquer coisa, afirmou que “o que aconteceu na Arábia Saudita, fica na Arábia Saudita”, e que nunca revelará os detalhes desse período em que esteve no país vizinho. Segundo Hariri, ao anunciar sua renúncia daquela forma, ele quis dar um “choque positivo” no povo libanês.

O que quer que tenha acontecido na Arábia Saudita, o “choque” na política libanesa dirigido pelos sauditas foi dirigido contra o Hezbollah, grupo xiita que não depôs as armas depois da guerra civil no Líbano e que teve participação decisiva na vitória de Bachar Al Assad na Síria. Os sauditas tentam desestabilizar a frágil unidade política construída depois da guerra do Líbano em um país dividido entre xiitas, sunitas, cristãos e outras facções religiosas.

O objetivo da Arábia Saudita com essa política é atingir o Irã, que apoia o Hezbollah e estava do lado de Assad durante a guerra na Síria. O Irã ampliou sua influência no Oriente Médio depois do fiasco norte-americano na ocupação do Iraque. Além do Hezbollah, os iranianos também apoiam os Houthis no Iêmen, que neste momento enfrentam também a Arábia Saudita. Para combater o Irã em uma nova frente, os sauditas podem estar empurrando o Líbano em direção a uma nova guerra civil.

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