Não é possível derrotar a “reforma” da Previdência sem derrotar o golpe

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A Central Única dos Trabalhadores (CUT), seus milhares de sindicatos, outras “centrais” e entidades do movimento operário e popular convocaram uma Greve Nacional em Defesa da Previdência e dos Direitos para este dia 5.

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Além de apoiar a mobilização, marcada para as vésperas da votação na Câmara dos Deputados, a qual os golpistas planejam liquidar com o direito à aposentadoria da imensa maioria dos brasileiros, garantindo o roubo de bilhões da poupança previdenciária de dezenas de milhões para os cofres de um punhado de banqueiros, é preciso destacar os limites desta iniciativa e encarar as perspectivas dos trabalhadores diante do agravamento da crise política e econômica.

Como nas mobilizações do começo do ano, que levaram à grande greve geral de 28 de abril, o “motor” da mobilização é a luta contra a reforma da Previdência, que expressa  – ainda que parcialmente – a revolta geral dos trabalhadores contra os golpistas que estão rasgando a CLT, promovendo um recorde de desemprego, aumento da miséria, entrega da riqueza nacional para banqueiros e outros abutres capitalistas, principalmente internacionais. Uma situação que já levou a que os institutos de pesquisa burgueses divulgassem que a rejeição ao governo é de quase 100%, que 60% dos brasileiros preferiam o governo Dilma e que mais da metade dos eleitores gostariam de votar no ex-presidente Lula, no caso de haver eleições presidenciais.

A greve é convocada, entretanto, em condições que, nem de longe, lembram as mobilizações do começo do ano; esta greve chega depois de seguidas derrotas – como a aprovação da famigerada reforma trabalhista, em vigor desde 11 de novembro passado. De lá para cá, intensificou-se a confusão e a dispersão nas fileiras da esquerda que – em sua maioria – abandonou a luta contra o golpe.

Um setor da esquerda pequeno-burguesa e da burocracia sindical fez isso dizendo que o eixo deveria ser a luta contra as “reformas”, para o que seria necessária a mais ampla unidade, inclusive, com setores golpistas e até mesmo defensores do “fica Temer”, como o deputado Paulinho da Força, presidente e “dono” da Força Sindical, que apoiou – de fat0 – todas as reformas dos golpistas contra os trabalhadores.

Uma outra ala da esquerda – com muitos elementos em comum com a primeira – abandonou qualquer luta contra o golpe; alguns até passaram a defender que “é preciso virar a página do golpe”, sob a ilusão de que é preciso esperar pelas eleições de 2018 e pela possível posse de um novo governo da esquerda, no ano seguinte, ignorando por completo até mesmo as declarações dos chefes do Exército de que estão preparando um golpe militar e as ações da direita para intensificar a repressão contra Lula, toda a esquerda, à classe trabalhadora e suas organizações de luta.

As experiências recentes dos trabalhadores, como as derrotas na luta contra a PEC 55, que congelou gastos públicos por 20 anos, a destruidora “reforma” do ensino médio, a aprovação da terceirização e da “reforma” trabalhista,  comprovaram na base da exaustão de que não há possibilidade de derrotar os golpistas em lutas parciais e isoladas.

É preciso uma luta geral unificada que tenha como eixo a luta contra o golpe, para colocar abaixo o regime reacionário e antioperário estabelecido após a derrubada da presidenta Dilma Rousseff.

Por isso, é preciso intervir nas mobilizações do dia 5 e nas lutas do próximo período esclarecendo que é preciso superar a dispersão e unificar os explorados e suas organizações de luta em uma verdadeira mobilização contra o golpe e pela anulação do impeachment e todas as suas consequências nefastas para o povo.

Uma questão fundamental, neste momento, é a luta contra o golpe militar e a prisão de Lula e pelo fim dos processos persecutórios da Lava Jato, além da imediata libertação de Zé Dirceu e todos os presos políticos do golpe.

Uma das tarefas centrais do próximo período é derrotar esta política e toda ilusão de que os golpistas podem ser derrotados por meio de “articulações” no Congresso golpista ou no terreno de eleições controladas pela ditadura que avança no País.

Para isso, é necessário superar a atual situação de paralisia que domina a classe operária em seu conjunto. Multiplicar os comitês de luta contra o golpe e pela anulação do impeachment em todo País e realizar um amplo trabalho de agitação e propaganda nas fábricas e demais locais de trabalho. Avançar em direção a uma verdadeira greve geral contra o golpe.

As tendências de luta presentes na situação atual – contidas pela sabotagem dos sindicalistas golpistas e da esquerda pequeno-burguesa – devem ser impulsionadas pelos setores que estiveram à frente da luta contra  golpe (CUT, FBP, MST, SMP, UNE, PT, PCO, PCdoB etc.). Para isso, é preciso deixar para trás as ilusões nas eleições e de que as reformas golpistas possam ser barradas por meio de articulações com o congresso golpista.

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