FUVEST: a ausência da Revolução Russa e o aprofundamento do golpe

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FUVEST: a ausência da Revolução Russa e o aprofundamento do golpe

No último domingo, 26, ocorreu o vestibular tido como mais importante do país. Promovido pela FUVEST, a o processo seletivo para o ingresso na USP em sua primeira fase 137.581 candidatos, que concorriam a 8.402 vagas distribuídas em 182 cursos de graduação.

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Assim como no ENEM, na prova da FUVEST não havia nenhuma questão sequer acerca do centenário da Revolução Russa.

No ano em que a maior e mais importante revolução do último século completa seu 100º aniversário, é de se espantar que os exames para ingressos nas melhores universidades do país simplesmente a ignorem.

Por se tratar de uma prova muitíssimo importante, sabe-se que o modelo de provas da FUVEST é seguido por muitas outras instituições, e suas questões lançam tendência para os próximos vestibulares.

Dessa maneira, ao deixar de abordar a revolução proletária de sucesso do último século, que levou ao poder os operários, cria-se um ambiente hostil para a rediscussão desse assunto, e em escolas e cursinhos que preparam os alunos para os vestibulares, não mais haverá preocupação pelo ensino desse episódio.

É, portanto, de forma sutil, porém não imperceptível, que os golpistas aprofundam a campanha pela ocultação da história da esquerda e pelo esquecimento dos episódios de revolução popular.

Dessa forma, não havendo espaço para estudar e muito menos para discutir a Revolução Russa, dificilmente as gerações mais novas saberão do poder que o povo unido tem de derrotar as forças opressoras que se instalam no poder. E, diante de um iminente golpe militar, o cenário se torna ainda mais preocupante, pois qualquer medida que vise contornar a censura —mesmo que sutil— será alvo de perseguição.

O golpe de Estado dado na presidenta Dilma Rousseff foi somente o primeiro passo para a instauração do regime de exceção no país. Depois desse episódio, muito da política nacional ocorre em função das vontades do imperialismo de manter total controle sobre o país. Dessa maneira, como já se sabe, o próximo passo planejado é a tomada do Poder pelos militares, que se alinham mais facilmente aos interesses nacionais —por mais incrível que pareça, falta o nacionalismo nas Forças Armadas do Brasil.

Nota-se, portanto, a instalação de um regime que restrinja direitos depende de uma ampla estrutura que exceda as colunas de políticas dos jornais e alcance também os meios culturais e a educação, por exemplo. Para tanto, os golpistas têm grande interesse em recriar cenários históricos de uma forma distorcida, ou ainda ocultá-los do conhecimento popular, e assim têm feito, dia após dia.

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