Na Argentina, repressão do golpista Macri aos ativistas Mapuche resulta em mais uma morte

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Na Argentina, repressão do golpista Macri aos ativistas Mapuche resulta em mais uma morte

Sob o comando do governo golpista de Maurício Macri, na Argentina a repressão aos movimentos sociais tem avançado a passos largos. O caso que mais tem ganhado atenção dos argentinos, da imprensa e de ativistas de direitos humanos, é o da repressão contra o povo Mapuche.

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No último sábado (25), dia em que se velava o corpo do ativista Santiago Maldonado, que ficou desaparecido por mais de 80 dias, mais uma morte ocorreu, na região de Bariloche, por conta da repressão policial à causa do povo Mapuche. Uma sequência de confrontos entre a polícia e membros da comunidade resultou em vários feridos, quando vários ativistas e membros Mapuche que aparentemente tinham escapado, na quinta-feira (23), de uma ação de despejo de um prédio, foram atingidos por disparos. Um dos baleados faleceu no hospital.

A ação de despejo de quinta-feira foi ordenada pela justiça, e executada de forma violenta pela polícia numa zona que pertence aos Parques Nacionais em Villa Mascardi, ocupada pelos Mapuches. No sábado, agentes da Prefeitura Naval (força que opera sob a tutela do Ministério da Segurança) lançaram uma operação de busca aos ativistas que escaparam da ação de quinta-feira.

Recentemente o caso do ativista da causa Mapuche, Santiago Maldonado, de 28 anos, tornou-se um assunto nacional na Argentina, e trouxe à tona a característica repressiva do governo golpista argentino. Durante o período em que Maldonado esteve desaparecido, milhares de argentinos foram às ruas protestar pela repressão e exigir que o governo se pronunciasse. Artistas e celebridades argentinas lançaram uma campanha nacional exigindo que informassem o paradeiro do ativista.

Dado como desaparecido em 1º de agosto, perto de um assentamento Mapuche, o corpo de Santiago foi encontrado em 17 de outubro boiando no rio Chubut, perto do local onde o rapaz foi visto pela última vez com vida por Mapuches enquanto cruzavam o rio para fugir de policiais.

A comunidade Mapuche reivindica a propriedade das terras de Vaca Muerta e, juntamente com os agricultores da região, também se opõe à exploração de petróleo e gás pela técnica do fraturamento hidráulico – ou fracking -, que impacta as plantações de maçãs e peras, principais produtos da região. Eles criticam a falta de atenção das autoridades com a contaminação da água que irriga o solo e com a crescente especulação das terras.

No mês de setembro a polícia argentina já havia realizado um despejo violento em uma comunidade na área Vaca Muerta, reivindicada pela comunidade e uma das maiores reservas de gás de xisto do mundo, localizada na Patagônia argentina. Mais de 60 furgões da UESPO (Unidade Especial de Polícia) entraram violentamente detendo várias lideranças Mapuche.

Um representante da Confederação Mapuche de Neuquén denunciou que: “mais uma vez, o governo e a Justiça tentam resolver através de violência um conflito que é puramente político-territorial. Nossas demandas são claras e nós as mantemos por décadas na frente de um governo que não quer cumprir as leis, só se preocupa em beneficiar as multinacionais e garantir os negócios das famílias que ocupam o governo.” O ativista também denunciou a intenção da polícia de plantar falsas “evidências” contra os Mapuche, como armas e drogas, para criminalizar os indígenas e que a comunidade Mapuche buscou por diversas vezes proteção junto à Justiça, mas nunca recebeu uma resposta.

Para Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina, organização que apoia movimentos locais, povos indígenas e grupos políticos na luta contra o fracking, este ataque reforça o poder da indústria do petróleo e a permissividade das autoridades.

O avanço de golpes pró-imperialistas que vêm destituindo governos legítimos de esquerda em vários países da América Latina a fim de implementar o programa imperialista e capitalista têm a característica de reprimir qualquer um que se oponha a seus interesses, sobretudo movimentos sociais e lideranças que se mantêm mobilizados ante os ataques golpistas.

O que acontece na Argentina tem se dado também aqui no Brasil com a repressão violenta a diversos movimentos sociais e, com a iminência de os militares tomarem o poder para continuar o programa do golpe de Estado, essa repressão ditatorial só tende a ser mais dura.

Portanto, trabalhadores, lideranças e movimentos sociais precisam se mobilizar, tanto na Argentina quanto no Brasil, na construção de comitês de luta contra o golpe que, no Brasil, precisam lutar pela imediata anulação do golpe (impeachment) dado em Dilma Rousseff.

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