Eleições: todos contra Lula

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É difícil para a esquerda pequeno-burguesa compreender a política em toda a sua complexidade. Uma das maiores amigas da cegueira política dessa esquerda é sua profunda ilusão nas eleições.

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Essa ilusão é o que impede, por exemplo, que algumas pessoas não consigam entender porque Lula, apesar de ser um político conciliador, que já foi duas vezes presidente da República, continua sendo nesse momento um inimigo para a burguesia mais ligada ao imperialismo. Ao mesmo tempo, partidos menores como o PCdoB e o PSOL não conseguem conceber que não representam nenhum perigo para a direita e a burguesia, mesmo em muitos casos ensaiarem um discurso mais radical do que o do PT e de Lula.

É por isso que a burguesia, já sabendo que será quase impossível vencer Lula nas eleições de 2018, a não ser que elimine a sua candidatura sob risco de aprofundar a crise no País, está impulsionando uma série de candidaturas “de esquerda”. Esquerda nesse caso pode ser entendida da maneira mais ampla possível.

Tem a “esquerda” burguesa, direitista e oligárquica, representada por Ciro Gomes, tem a “esquerda” sem sal e sem tempero de Marina Silva, que em todas as oportunidades aparece falando e fazendo alguma coisa bem direitista como o apoio a Aécio Neves nas últimas eleições. E por mais direitismo que se faça, ninguém perde a pose e o discurso demagógico. Existe também a esquerda pequeno-burguesa mais típica como o PCdoB, que abandonou Lula depois de 7 eleições para, em pleno golpe de Estado, apresentar uma candidatura “mais limpinha”. E ainda há o PSOL, que prepara mais uma candidatura com discurso pseudo-radical e prática direitista, como já provaram Heloísa Helena, Plínio de Arruda Sampaio e Luciana Genro.

Tudo isso foi dito para mostrar que não basta ter uma política conciliadora e até mesmo direitista para que a burguesia desiste de atacar determinado candidato. da mesma maneira, não basta ter discurso radical e parecer esquerdista para a burguesia tremer de medo.

Esse é o motivo pelo qual a burguesia, mais especificamente o imperialismo, está promovendo uma série de candidaturas “de esquerda” contra a candidatura de Lula. Só Lula e o PT representam algum perigo para a burguesia, primeiro porque é a única candidatura capaz de ganhar, segundo e mais importante, porque o PT e Lula representam não a sua política conciliadora, mas uma base social gigantesca que facilmente pode sair de controle.

Lula não é mais o candidato da conciliação, embora sua política de colaboração não tenha mudado substancialmente desde os primórdios. Lula nesse momento é a expressão da polarização política que cada vez é mais profunda no País. Esse é o perigo.

As outras candidaturas de esquerda são fabricadas ou estão sendo impulsionadas para retirar votos de Lula. Fizeram isso em 1989, estão fazendo agora.

E a esquerda, cega e embriagada pela profunda ilusão eleitoral, cai na manobra da direita, acreditando que sua política, que no fundamental não tem diferença com a política de colaboração do PT, é independente e que será a substitua do PT no regime política.

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