Crise no PMDB e no PSDB exigem uma solução militar para a crise do golpe

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Kátia Abreu foi expulsa do PMDB. Por meio de uma rede social, a senadora eleita pelo Tocantins declarou que ser expulsa do PMDB “não é punição, é biografia”. A notícia apareceu nos jornais na quinta-feira (23), trazendo a surpreendente informação de que o PMDB, partido de Michel Temer, tem um “Conselho de Ética”. A expulsão de Kátia Abreu era cogitada desde setembro do ano passado, quando a parlamentar colocou-se contra o impeachment de Dilma Rousseff, processo fraudulento por meio do qual a direita lacaia do imperialismo deu um golpe de Estado contra o Brasil.

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Esse acontecimento expõe, mais uma vez, uma divisão dentro do partido, do mesmo modo que ocorre com o PSDB. O golpe de Estado visa destruir o PT, pelo menos tal como o partido é hoje, para excluir a classe trabalhadora do regime político. São os partidos da burguesia, contudo, que estão se estilhaçando, divididos em facções com interesses distintos, juntadas em uma mesma organização partidária de maneira artificial. A acomodação desses interesses dentro de partidos artificiais tornou-se impossível com a crise política precipitada pela campanha golpista.

No caso do PMDB, os setores mais contrariados com os rumos do governo são representantes de uma parcela da base de apoio dos governos petistas. O PT fez um governo nacionalista burguês, que combinava o apoio da classe trabalhadora e os interesses da burguesia nacional. Para os trabalhadores, o PT tinha um conjunto de políticas sociais, como o Bolsa Família. Para a burguesia nacional, crédito barato, isenção fiscal, política de conteúdo nacional na Petrobrás etc. Outro programa social, o Minha Casa Minha Vida, era particularmente representativo dessa política, oferecendo habitação para os trabalhadores e lucros para as grandes empreiteiras.

Os setores do PMDB representantes da burguesia nacional foram atingidos em cheio pelo golpe de Estado. Logo que o governo golpista entrou em ação, o crédito secou, as obras de infraestrutura pararam e a política de conteúdo nacional para a exploração do petróleo foi enterrada de vez. Nessa situação, Kátia Abreu, pecuarista e ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento durante o governo Dilma, terminou ficando contra o governo golpista, até chegar à expulsão desta semana. Pelo mesmo motivo, Roberto Requião também está na mira do “Conselho de Ética” do PMDB.

A crise que o golpe provocou no PMDB e no PSDB, pilares do regime burguês no Brasil, representam uma crise do golpe e do regime em geral. O golpe que deveria destruir o PT e estabelecer um novo regime político que excluiria completamente a participação da classe trabalhadora do poder do Estado está levando a burguesia ligada ao imperialismo a um beco sem saída. As massas ainda reconhecem Luiz Inácio Lula da Silva como seu representante eleitoral, e interferem no poder político mesmo que de maneira indireta por meio de uma representação distorcida.

As eleições de 2018 intensificam ainda mais a crise nos partidos da burguesia. Ninguém tem segurança de que sobreviverá às eleições, ao mesmo tempo em que ninguém consegue apresentar uma candidatura capaz de derrotar Lula, mesmo com fraudes, campanhas sujas, perseguição judicial e uma propaganda unânime e constante na imprensa burguesa contra o ex-metalúrgico do ABC. Com Lula fora da disputa, o favorito é Jair Bolsonaro, outro problema para os donos do golpe. As eleições de 2018 são impossíveis.

Os donos do golpe estão encurralados pela situação. O impasse reforça o perigo de um golpe militar no Brasil como saída da direita e do imperialismo para a crise. Uma saída que contorna o problema das eleições e da falta de coesão dos partidos burgueses, para impor uma unidade política aos diversos setores da burguesia nacional e para esmagar os trabalhadores.

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