22 de novembro de 1910 – Tem início a Revolta da Chibata, liderada por João Cândido, o “Almirante Negro”

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22 de novembro de 1910 – Tem início a Revolta da Chibata, liderada por João Cândido, o "Almirante Negro"

O Brasil foi o último País da América do Sul a abolir a escravidão, tendo a abolido em 1888, após um amplo movimento de escravos rebeldes.

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Certos hábitos, no entanto, não foram superados. Um deles era o da Marinha do Brasil: ao fim do Século XIX e começo do Século XX, todos os oficiais das Forças Armadas eram brancos, membros das elites locais. A maioria da frota da Marinha, no entanto, era formada por negros.

Os marinheiros negros recebiam dos oficiais brancos, como punição por praticarem qualquer tipo de infração, castigo corporal, aplicado por meio de chibatas, tal como os senhores de escravo o faziam.

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João Cândido, o Almirante Negro, lê nota dos revoltados para uma tropa de marinheiros

Em 1910, o governo de Hermes da Fonseca, investiu na Marinha Brasileira, que havia sido esquecida desde a Proclamação da República, em 1889, devido a várias revoltas: compraram novos navios de guerra, os encouraçados, os mais modernos.

No dia 22 de novembro do mesmo ano, os marinheiros negros ocuparam os novos navios de guerra São Paulo, BahiaDeodoro, RepúblicaBenjamin Constant, TamoioTimbira, localizados no Rio de Janeiro. Cerca de 1500 a 2000 marinheiros negros participaram da ação. Este episódio ficou conhecido como a Revolta da Chibata.

Os tripulantes, liderados por João Cândido Felisberto, que ficou conhecido como o “Almirante Negro” diziam, apontando os canhões de seus navios para a capital do País, à época o Rio de Janeiro, “Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podemos mais suportar a escravidão na Marinha brasileira!”

O movimento cessou no dia 26 de novembro, após um acordo entre os rebeldes e o parlamento brasileiro, que aprovou uma lei proibindo as chibatadas como castigo corporal.

A Revolta da Chibata, a luta dos marinheiros negros, é mais um exemplo, assim como o fim da escravidão, em 1888, de que a classe dominante nunca presenteia os dominados; só cedem após uma demonstração violenta dos oprimidos em defesa de suas reivindicações.

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