Abaixo a ditadura golpista no Rio, apoiada pela esquerda pequeno-burguesa

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Jorge Picciani e seus colegas deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro – ALERJ -, parceiros de infortúnio da Operação Cadeia Velha, não são – nem de longe –  “flor que se cheire”, como todos os políticos burgueses e seus partidos, verdadeiros escritórios de defesa dos interesses dos grandes capitalistas que sustentam suas milionárias campanhas eleitorais. Mas seus algozes, neste momento são os golpistas responsáveis pelos piores ataques ao povo de todos os tempos, contra toda a população trabalhadora.

Não por acaso, a Rede Globo, ou Rede Golpe, com sua TV, jornais etc., lançou pesada campanha em apoio à decisão da justiça carioca de mandar prender o presidente da ALERJ e mais dois deputados, sem julgamento, sem direito à defesa, aplaudindo entusiasticamente, uma vez mais, a intervenção do Judiciário golpista no poder Legislativo; realizando ampla campanha em seus jornais para que a população protestasse contra a votação realizada pelos deputados para que se respeitasse a imunidade parlamentar e aceitasse a prisão ilegal dos parlamentares. Da mesma forma que a PF invadiu o Senado Federal, um juiz fascista – de primeira instância – mandou grampear e espionar, tal e qual  os EUA, a presidenta da República; tal como o regime golpista condena, prende ou ameaça prender adversários políticos do regime de exceção. Evidências de que estamos cada vez mais sob uma ditadura que os chefes do Exército – que apoiaram o impeachment – ameaçam fazer “evoluir” para um golpe militar.

Tudo isso nos mesmos dias em que a Globo foi denunciada, pela enésima vez, por seus bilionários negócios escusos na área dos esportes e quando um de seus principais âncoras jornalísticos foi desmascarado exercendo o racismo “padrão globo” e quando articula para emplacar como presidenciável um dos seus funcionários, Luciano Huck, ex-cabo eleitoral do playboy-senador Aécio Neves etc.

Para a esquerda pequeno-burguesa, no entanto, esta realidade ditatorial, não existe. Nem mesmo no Rio de Janeiro, cuja economia vem sendo literalmente destruída pela operação de rapina dos golpistas, com a taxa de desocupação no estado batendo seguidos recordes, atingindo 15,6% da população economicamente ativa , de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subindo cerca de 150% em relação a 2014 quando esta taxa era de 6,4%. No Estado mais afetado diretamente, econômica e socialmente, pela criminosa operação Lava Jato, com paralisação de obras de grande alcance e milhares de empregos, demissões em massa nos estaleiros, construção civil e com o funcionalismo e todos os serviços públicos “comendo o pão que o diabo amassou”… a esquerda pequeno-burguesa resolveu manter seu coro afinado com a direita golpista e trombetear que o caminho é aumentar a repressão, reforçar a ditadura do Judiciário, apoiar a Lava Jato, a Rede Globo e tudo de mais de reacionário que existe.

Com o mesmo espírito eleitoral, essa esquerda moralista – liderada no Rio pelo PSOL – que já recebeu o apoio do PSDB e de outros golpistas nas eleições, resolveu não só apoiar a prisão dos deputados, como também expulsar dos seus quadros deputados que votaram contra o golpe do Judiciário. Da mesma forma que muitos desses setores apoiaram – ou não lutaram contra – a deposição de Dilma pelos golpistas, ajudando a ascenção de Temer e sua quadrilha do DEM-PSDB-PMDB etc.; tal como torcem pela – ou até defendem a – prisão de Lula para que este não possa ser candidato e isto lhes renda dividendos eleitorais; estes esquerdistas da zona sul se alinham com a Globo e a maioria dos golpistas para defender o afastamento de elementos de outra ala golpista que já não serve mais aos interesses dos donos do golpe.

É preciso denunciar os verdadeiros interesses que estão por trás de toda esta operação criminosa. Desmascarar as armações dos golpistas e de seus aliados. Rejeitar os planos ilusórios dos que pretendem apostar todas as suas “fichas” e arrastar o ativismo da juventude, do movimento operário e popular para a crença de que a saída dos explorados está nas improváveis eleições 2018.

No Rio, como em todo o País, é premente fortalecer a luta por uma alternativa real dos trabalhadores diante do caos acelerado pelo golpe; reagrupar o ativismo classista em torno da luta contra o golpe e pela anulação do impeachment.

Multiplicar e fortalecer o trabalho dos comitês que impulsionam a luta por essa perspectiva democrática e debate nesse movimento, nos partidos de esquerda, entre todo o ativismo, em assembleias populares etc. Uma alternativa própria dos explorados diante da crise, do aumento da repressão contra todo o povo, que nada tem a ver com o seguidismo da esquerda pequeno-burguesa, percorrendo os caminhos traçados pela direita golpista e inimiga dos explorados.
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