Ministra capitã-do-mato queria ganhar R$ 61 mil para “não ser escrava”, agora, se diz “pobre” e “da periferia”

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Em uma ação fajuta de propaganda enganosa, na qual o governo golpista de Michel Temer anunciou um suposto programa com investimento de R$ 157 milhões em ações de segurança, educação, esporte e direitos humanos no Rio de Janeiro, a ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois (PSDB) voltou a fazer propaganda enganosa de si mesma.

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Na cerimônia, realizada nesta segunda-feira, 13, a ministra afirmou que é “preta, pobre e da periferia”. Isso apesar de receber por mês valores equivalentes a mais de 30 salários mínimos e ter reivindicado um suposto direito de receber seus vencimentos em dobro – totalizando R$ 61 mil -, como desembargadora aposentada e como ministra – o que é inconstitucional. Isso alegando estar em situação análoga à escravidão e que com a “merreca” de R$ 31 mil por mês “é difícil se vestir, se alimentar, calçar e ir ao salão de beleza”.

As alegações da ministra que foram repudiadas pelo movimento negro foram capazes de conseguir algo impossível neste momento: “unificar o PSDB”. Segundo um deputado e dirigente do partido, o pernambucano Betinho Gomes, que afirmou ainda que “a bancada gostaria que ela reconhecesse o grave equívoco pedindo desculpas”.

Obviamente, que a posição dos tucanos nada tem a ver com a defesa dos negros e da população pobre ultrajada pela ministra, mas com o fato de que ela feriu a máxima tucana divulgada publicamente – sem querer – pelo ex-ministro Rubens Ricúpero: “o que é bom a gente divulga, o que é ruim a gente esconde”.

A ministra, indicada para o cargo pelo senador Aécio Neves (MG) e pelo ministro Antonio Imbassahy, “foi avisada por seus interlocutores no partido que fica se não falar mais no assunto“.

O programa lançado no Rio, como todos os demais projetos sociais do governo golpista, é uma previsão que dificilmente se realizará, frente aos cortes de verbas e contingenciamentos. Mesmo que fosse realizado integralmente, o valor gasto seria da ordem de R$ 157 milhões, com ações nas áreas de quatro ministérios: justiça, educação, esporte e direitos humanos.  Assim, o ministério da “ministra-escrava” gastaria, no máximo, menos de R$ 50 por mês com cada uma das 50 mil crianças que os golpistas anunciam que serão atingidas no Estado.

A demagogia em torno do programa busca encobrir o fato de que o regime golpista está destruindo a imensa maioria dos programas sociais criados nas últimas décadas e, no caso do Rio, levando à falência o Estado que teve os maiores índices de crescimento econômico nos anos que antecederam o golpe, lançando no desemprego e na miséria real – que nada tem a ver com a “pobreza” da ministra.

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