Dilúvio em São Paulo e a catástrofe do governo Doria

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Se João Doria fosse Noé, a barca afundaria por falta de investimento. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo publicada sexta-feira (3), o prefeito tucano de São Paulo gastou até agora apenas 21% do orçamento para obras contra enchentes, como canalizações e piscinões. São R$ 172 milhões de um orçamento de R$ 837 milhões.

Rascunho automático 67

Quando as consequências trágicas das enchentes começarem, ninguém poderá dizer que se trata de uma fatalidade, de um desastre da natureza imprevisível e incontrolável. As casas alagadas, famílias perdendo tudo e até mortes serão em grande parte consequência direta de uma determinada política.

Doria vendeu-se durante as eleições como um “gestor”. A ideia é que “gestores” vindos da iniciativa privada seriam melhores administradores. Ideia idiota mas em eleições esvaziadas a manobra deu certo. Agora Doria está na prefeitura, como um desastre natural assolando os paulistanos.

Sua “gestão”, seu governo, acumula histórias de incompetência. Sob a prefeitura de João Doria, um prédio foi demolido ao lado de um prédio com gente dentro na chamada “Cracolândia”. Um pedaço de prédio velho caiu em cima do outro, e gente saiu machucada.

Também no governo Doria, a prefeitura lançou um programa para alimentar pobres com uma espécie de ração, feita com produtos perto do vencimento, o que também pode ser chamado de lixo. Esses são dois exemplos entre muitos do que é o governo Doria.

Outra razão para se apresentar como “gestor” era não aparecer como político. Candidato por um partido político, para um cargo político, fazendo uma campanha política, o “gestor” seria alguma outra coisa. Jamais saberemos que outra coisa é essa. Se Doria não é exatamente um político não é por ser “gestor” mas por ser unicamente um eterno candidato em campanha permanente.

O político ausente, no entanto, está criando problemas para o candidato em campanha por tempo indefinido. Doria está se tornando impopular demais mesmo para vencer eleições manipuladas. O episódio da ração foi devastador.

Mas nada tão desastroso quanto as enchentes que se aproximam aconteceu até agora. Quando as chuvas de verão chegarem, a cidade estará despreparada. E os paulistanos vão sofrer. Isso não será acidente, será por incompetência. Há um culpado: Doria. Mais do que impopular, Doria está arriscando tornar-se alvo de revoltas. Só resta torcer por condições climáticas atípicas, sem chuvas de verão, porque se depender da prefeitura, das decisões racionais dos homens, o que vem por aí é o caos.

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