Primeira caravana de Lula por Minas Gerais – o que o povo quer é derrotar o golpe agora

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Após oito dias de agenda intensa, percorrendo 21 cidades, encontrando praças e ruas lotadas, o ex-presidente Lula encerrou a primeira caravana de Minas Gerais atraindo com sucesso o povo mineiro em torno de suas propostas, reavivando esperanças de quem hoje já amarga pesados ataques e retrocessos, colhendo histórias de superação da época dos governos petistas, acompanhadas de carinho e agradecimento sinceros de todas as partes, mas também da pesada preocupação dos trabalhadores com um futuro que se mostra totalmente incerto.

Nesta caravana, Lula leva ao povo mineiro sua já conhecida política de conciliação social, cujo objetivo mantém-se em integrar as camadas mais pobres da população à vida social da classe média, para que todos, além do básico das “três refeições por dia”, também possam “andar de avião, comprar uma geladeira ou um carro novo”. Mas tudo isto, conforme ressalta Lula, “sem deixar de tratar bem o empresário honesto”.

O presidente defendeu com ênfase a volta dos investimentos sociais, como a manutenção do bolsa família. “Porque quando uma mãe recebe R$100,00, ela não vai depositar este dinheiro no banco, ela vai é no supermercado comprar comida para a sua família”. E aí, “é o supermercado que vende mais, e logo ele é obrigado a colocar mais um empregado, que também vai começar a consumir, e isto tudo somado faz girar novamente a roda gigante da economia”, por isto, conclui, “o pobre não é o problema, é a solução.”

O ex-presidente também reforçou em todas as cidades pelas quais passava a necessidade de retomar os investimentos em educação, porque “filho de pobre também tem o direito de ser doutor, de ser médico, de ser engenheiro”. “Educação não é gasto, é investimento, e é o investimento mais seguro que existe, porque quem aprende alguma coisa não esquece mais, por isto o que se investe em educação não se perde nunca”. E arremata: “nenhum país conseguiu se desenvolver sem educar o seu povo.”

É o projeto petista da conciliação geral das classes e da pacificação social no marco do capitalismo, que, nas palavras de Lula, agora não estaria mais tendo continuidade apenas porque “os ricos não gostam de ver um negro na universidade, ou alguém humilde disputando espaço dos ricos nos aeroportos e nos shoppings”.

Unicamente por “não gostarem de pobres”, defende Lula, as classes dominantes deram um golpe no governo da presidenta Dilma Rousseff, e, “em pouco mais de um ano estão destruindo tudo o que foi construído ao longo de 12 anos”.

Em resumo, o discurso do ex-presidente e do Partido dos Trabalhadores em geral continua seguindo os paradigmas eleitorais usuais, como se os petistas tivessem simplesmente perdido o poder em uma eleição e hoje fossem uma oposição normal de esquerda a um governo de direita.

Ainda que o presidente Lula e a presidenta Dilma chamem os golpistas corretamente de usurpadores, que dizem, “tomaram o poder através de um golpe parlamentar”, a política do partido continua a funcionar claramente nos marcos do antigo regime pré-2016, jogando todas as fichas em uma futura eleição, chamada por suas lideranças de “reencontro com a democracia”, onde “vamos virar a página deste golpe”, prometendo-se a revogação das medidas golpistas por meio de uma simples proposta de “referendo revocatório”.

Somente em alguns poucos momentos houve alguma menção a uma luta mais efetiva contra o golpe. Nisto destacou-se a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, que reiteradamente e com toda a clareza levantou a bandeira da anulação do impeachment, ainda que variasse a ênfase que dava a esta luta.

Até mesmo a presidenta Dilma apontava as eleições de 2018 como a única saída democrática para o golpe, mesmo que por diversas oportunidades tenha agradecido à militante Edva, e “às meninas do Anula”, pela campanha pela anulação do impeachment em andamento.

Ou seja, o que se observa na carava de Lula é que, se por um lado foi um enorme acerto mobilizar e agitar o povo em torno do ex-presidente, colocando-o para o povo, corretamente, como um grande obstáculo ao golpe, por outro lado, o PT não conseguiu evoluir de sua antiga política eleitoral para os marcos atuais que correm por fora do jogo das eleições, ou seja, que já tomam ares de política revolucionária.

O PT não conseguiu até agora, por exemplo, agitar os brios de sua militância contra um golpe que transformou em fumaça todo o duríssimo trabalho dispendido pelo partido em 2014, na campanha eleitoral de Dilma, e que ainda terá pela frente uma verdadeira guerra civil em 2018, se houver eleições.

Não se vê, em momento algum, as lideranças petistas incentivarem seus militantes e o povo em geral, a aderir à campanha das assinaturas pela anulação do impeachment, ou explicarem para a população os potenciais desta política, inclusive de abrir caminho jurídico para a revogação das medidas golpistas, de impor uma derrota tão grande aos golpistas, que poderá viabilizar uma nova constituinte, ainda que seja necessária imensa pressão popular para se concretizar estes objetivos.

Ao que parece falta o PT confiar mais na força e no poder de mobilização da classe trabalhadora, e isto apesar do povo mineiro mostrar intensa adesão à luta contra o golpe, por exemplo, nas poucas oportunidades em que Edva conseguiu ter direito a falar sobre a necessidade de se agir agora contra o golpe, ao invés de se ficar apenas aguardando um longínquo pleito eleitoral em 2018, que “ninguém sabe se realmente vai acontecer”.

“É preciso lutar agora, anular este impeachment já”, disse Edva, pois aí “Dilma volta com a caneta na não para anular o que vem por aí, e para colocar sob judice o que já foi aprovado”. E pergunta a militante: “O que fazer neste sentido? É pressionar o Supremo Tribunal Federal! Vamos pressionar, vamos colocar 200 mil pessoas na frente do Supremo Tribunal Federal, vamos juntar PT, CUT, MST. Vamos colocar o povo lá para dizer NÃO ACEITO ESTE GOLPE, quero Dilma de volta, quero meus direitos de volta. É esta a luta. E esta luta garante eleições limpas em 2018. Caso contrário, a gente nem sabe se vai ter eleição”. E completa: “DILMA JÁ, LULA 2018! É este o caminho! É este o caminho!”

E, de fato, é este o caminho que o povo claramente demonstrou que quer trilhar. O caminho que aceito e confirmado através de cada uma das quase 2000 assinaturas colhida pela Ação Popular durante a caravana, a cada folha que foi levada para mais assinaturas, a cada embrião de comitê que foi semeado pelas cidades percorridas, enfim, em todas as muitas e muitas vezes que os poucos militantes envolvidos nesta luta ouviam reiteradamente o povo dizer: “é isto mesmo o que dever ser feito”.

Realmente, é isto o que deve ser feito. Levar este movimento às massas, com a maior intensidade possível, formar centenas de comitês, fazer com que toda a população saiba desta luta, e dar a chance para cada brasileiro assinar esta ação popular histórica e aderir concretamente à luta contra o golpe. Em resumo, ter consciência da força invencível da classe trabalhadora.

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Acompanhar a caravana do presidente Lula comprovou claramente: mais do que as velhas cantilenas de conciliação de classes, mais do que “perdoar os golpistas”, lutar e derrotar o golpe é de fato a única coisa que o povo realmente quer agora. Imediatamente. Sem esperar mais um dia sequer, quanto menos ainda um longínquo e incerto 2018.

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