A direita não gosta de futebol

Compartilhar:

Historicamente, o futebol é um patrimônio do povo negro brasileiro. Também por isso, é um esporte que a burguesia racista brasileira se esforçou ao máximo para controlar, através dos empresários do esporte e burocracias gigantescas.

Campanha Financeira 3

Nos últimos anos, especialmente depois do golpe de Estado, podemos observar uma série de medidas da direita e dos golpistas contra o futebol brasileiro.

Muito embora esse pessoal tenha saído às ruas de verde e amarelo, em defesa do impeachment, em defesa do golpe de Estado, por debaixo da camisa da seleção certamente havia uma camisa dos Estados Unidos. Usavam a camisa da Seleção Brasileira para fazer demagogia e esconder seus objetivos abertamente entreguistas.

Dentre as medidas mais conhecidas e odiadas foram o fim das gerais, o fim do chamado “geraldino”. A geral era  o local do torcedor pobre dentro dos estádios. O fim deste setor foi resultado da venda e da entrega de diversos estádios para os especuladores da iniciativa privada.

A festa era comandada pela geral, os jogadores iam se consultar na geral, saber o que fazer em campo, quem, do time oposto, está desmarcado e apresentando perigo. E, claro, as maiores ofensas ao juiz e aos jogadores do time adversário.

Aos poucos os estádios foram ganhando arquitetura e preços europeus, o que, por outro lado, foi tirando o direito do negro, do pobre e do trabalhador de acompanhar de perto seu time do coração. Daí, também, que surgiram as chamadas “arenas”, para torcedores da classe média, média-alta.

Outro ataque dos golpistas foi a perseguição às torcidas organizadas, perseguição realizada sob a bandeira da “luta contra a violência”. Um pretexto semelhante à “luta contra a corrupção”, que acabou dando resultado no golpe de Estado.

A “luta contra a violência” nos campos de futebol resultou, nos mais variados estados, no fim da festa do povo ao acompanhar seu time, impedindo os fogos de artifício, bandeirões, sinalizadores, charangas, apitos, bandeirolas, fantasias, etc. Algumas tradicionais torcidas organizadas estão proibidas pela justiça burguesa de irem aos estádios, torcer para seu time.. O torcedor, agora, foi transformado pela direita em praticamente um criminoso.

Por outro lado, pode-se ver hoje, com certa facilidade, a campanha internacional contra a seleção brasileira, contra os jogadores brasileiros. Neymar, por exemplo, é alvo de algum ataque da imprensa burguesa praticamente todos os dias, isso quando não é a esquerda pequeno-burguesa que ataca ele e o futebol brasileiro.

A direita e os golpistas não gostam de futebol por alguns motivos que vale a pena falar aqui nesta coluna.

Em primeiro lugar, o futebol é uma forma de organização do negro, sempre foi. Através dele negros e operários se organizaram, vários times e jogadores têm sua origem no povo trabalhador. E, como se sabe, o negro organizado é o pior pesadelo para a direita racista, que ataca, não só o futebol, como outras diversões do povo, como o carnaval de rua, os bailes funk, etc.

Por outro lado, o futebol brasileiro, apesar de toda a campanha imperialista contra ele, é, de longe, o melhor futebol do mundo. Ganhamos, nós brasileiros, jogos e campeonatos em todos os lugares do mundo. É um patrimônio do povo que, de tão espetacular, é alvo de exportação.

Os Estados Unidos, por exemplo, potência máxima do imperialismo, financiador de golpes de Estado ao redor do mundo, não conseguiram, de novo, se classificar para a Copa do Mundo. Foram eliminados depois que o México, segundo dizem alguns, entregou um jogo para Honduras e, em combinação com outros resultados, os gringos ficaram fora da copa. Ponto para os mexicanos.

O futebol é um patrimônio do povo e por ele deve ser controlado. Os times, os estádios, devem estar sob controle dos maiores interessados, ou seja, do povo e de suas torcidas, e não na mão de um punhado de empresários interessados na destruição do esporte mais popular do mundo.

artigo Anterior

Professores do RS em greve bloqueiam via

Próximo artigo

Catalunha desafia ditadura espanhola

Leia mais

Deixe uma resposta