Espanha: uma ditadura que o imperialismo ama

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A Espanha é um país artificial, cuja unidade é assentada sobre a repressão a uma série de nacionalidades oprimidas dentro de seu território. Catalunha, País Basco, Galiza e outras regiões reivindicam a independência, seja para formar novos países ou, no caso da Galiza, para se integrar a Portugal. Para garantir essa unidade nacional artificial, muita violência já foi empregada contra as nacionalidades oprimidas. Durante a ditadura fascista de Francisco Franco, até mesmo as línguas regionais eram proibidas.

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Nesse domingo (1º) essa história de violência e repressão teve mais um capítulo. O governo da Espanha enviou milhares de policiais para impedir, por meio da violência, a realização de um referendo popular sobre a independência da Catalunha. Os catalães decidiriam nas urnas se desejavam que a Catalunha continuasse sendo parte da Espanha ou fosse independente. O governo da Espanha, no entanto, tentou impedir a manifestação democrática da população. Trata-se de um regime que impede que a população manifeste democraticamente sua vontade: uma ditadura.

Uma ditadura que tem a seguinte característica: é amada pelo imperialismo. Os grandes bancos, por meio de sua porta-voz, a revista The Economist, consideram o referendo ilegal. Se o governo espanhol de Mariano Rajoy deve ser censurado seria por ter sido brando na repressão ao referendo. Uma posição oficial do imperialismo foi anunciada pela União Europeia, que considerou o referendo “inconstitucional”.

Seja qual for o argumento, o imperialismo apoia a ditadura da Espanha na Catalunha, com seus métodos violentos de impedir um referendo democrático. Ao mesmo tempo em que usa a democracia, cinicamente, para condenar determinados regimes de países atrasados onde pretendem dar um golpe, o imperialismo apoia uma série de ditadura pelo mundo. Incluindo a ditadura na Espanha.

Quando Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, convocou eleições no país para instituir uma Assembleia Constituinte, o imperialismo também condenou a votação. Os governos imperialistas, que alegam, quando conveniente, serem defensores da “democracia”, estão se colocando com frequência contra o mecanismo democrático por excelência: o voto. A vontade popular e a participação do povo no regime político por meio do voto está se tornando totalmente incompatível com os interesses do imperialismo, que encontra cada vez mais dificuldade para manipular eleições e referendos.

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