Os 25 anos do massacre do Carandiru e o golpe militar

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O Massacre do Carandiru ficou mundialmente conhecido especialmente por conta da brutalidade policial. Naquele dia, 2 de outubro de 1992, no Pavilhão 9 do Carandiru, onde mais de 80% dos presos ainda aguardavam julgamento, teria ocorrido uma rebelião.

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Não se sabe muito sobre a origem e as causas da rebelião, mas, com esse pretexto, a força de repressão do Estado de São Paulo, a Polícia Militar e seus grupos especializados, como o Choque e a sinistra ROTA invadiram o complexo e assassinaram, oficialmente, 111 pessoas desarmadas. Segundo relatos de sobreviventes, os números podem ter chegado a 300, 400, talvez 500 pessoas mortas covardemente.

Outros relatos dão conta de que as escadas, celas e corredores do pavilhão ficaram banhadas em sangue e marcas de bala, foram usadas metralhadoras na operação. Os presos estavam, todos, desarmados e tentaram se esconder da maneira que fosse possível dos tiros.

A quantidade de cadáveres era tão grande que a polícia utilizou os presos sobreviventes para carregar os mortos até o pátio. Em alguns lugares era impossível andar sem pisar em um cadáver.

Porém, em setembro do ano passado, os 74 PMs, condenados no ano de 2013 e 2014 pelo massacre, tiveram anuladas suas sentenças pelo TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). Ivan Sartori, desembargador e relator do processo, votou ainda pela absolvição dos policiais. Em seu parecer, afirmou que “não houve massacre, houve legítima de defesa e cumprimento do processo pela Polícia Militar”.

Já o coronel e deputado estadual Ubiratan Guimarães, um dos comandantes da operação, foi condenado a 632 anos de prisão, porém, foi absolvido por esse mesmo tribunal em 2006.

Em entrevista, anos depois, o governador de São Paulo da época, Luiz Antônio Fleury Filho disse: “não há dúvida alguma de que era necessária e se fazia necessária a entrada da PM naquelas circunstâncias, foi legítima e necessária”.

O caso revela todo o procedimento militar que é defendido não só pela Polícia, mas também pelos golpistas que assumiram o poder e pelo próprio Exército, que, agora, através de declarações de seus generais, ameaçam intervir no regime político através de um golpe militar que está sendo planejado.

O golpe de estado que o país sofreu intensificou a atividade homicida da polícia militar, tanto na cidade como no campo, mas, ao contrário do que pensam alguns, a situação pode ficar ainda mais grave se os militares assumirem o poder.

O que se viu no Carandiru pode simplesmente se repetir em qualquer rua dos bairros pobres, das favelas, das comunidades dos trabalhadores. Toda a repressão que foi vista na Rocinha, no Rio de Janeiro, será intensificada e as ocupações militares prolongadas por tempo indeterminado.

Os militares nas ruas é a certeza de que nenhum direito será garantido para a população negra, para a população pobre. Todos os negros, pobres e trabalhadores estarão ameaçados de serem tratados como os detentos do Carandiru.

Por outro lado, a absolvição dos militares envolvidos no massacre do Carandiru também revela que, de conjunto, eles estão acobertados pelo Poder Judiciário e aguardam ordens para avançar na repressão contra o povo.

É também em homenagem às vítimas do Carandiru e de toda a repressão, o ato do dia 11 de outubro, em Brasília, contra a anulação do impeachment, contra o golpe de estado e o iminente golpe militar, um ato em defesa dos direitos mais elementares do povo.

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