Lula, presidente ou preso? O que decide não são as pesquisas mas a luta contra o golpe

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Pesquisas divulgadas com destaque nos últimos dias, pelos principais órgãos da imprensa burguesa, apontam – principalmente – para dois cenários para o próximo período para  qual estão previstas (mas sem nenhuma garantia real) as eleições presidenciais, para outubro de 2018.

Rascunho automático 67

É claro que, antes de tratar das pesquisas, é preciso relativizar seus resultados, levando em consideração que elas são realizadas e divulgadas por monopólios que têm interesses políticos e materiais (econômicos) bem claros e definidos na situação atual: apoiaram com ardor o golpe de estado que derrubou a presidenta eleita por mais de 54,5 milhões de brasileiros e estão em franca campanha pela “demissão” do parceiro de empreitada, Michel Temer, diante da pública e notória incapacidade do mesmo de seguir levando adiante o feroz ataque contra os trabalhadores e a economia nacional que os verdadeiros donos do golpe querem ver executado. Agora, enxergam na “ponte para o futuro” um caminho certo para desastre, como – inclusive – confirmam as pesquisas. [Se fôssemos nos dedicar a mostrar evidencias das fraudes e manipulações das pesquisas, poderíamos ter de multiplicar centenas de vezes o tamanho desta coluna; vamos poupar o leitor, pois a confiabilidade das mesmas é tida como prá lá de duvidosa pela imensa maioria dos que raciocinam].

As principais pesquisas indicam claramente que a vontade popular oscilaria, supostamente, entre duas alternativas.

Por um lado, as primeiras pesquisas apresentadas, apontam que se mantidas as tendências atuais, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, seria eleito para um terceiro mandato presidencial – quinto do PT – com larga margem de vantagem sobre quaisquer dos seus oponentes, obtendo mais do que a soma de intenções de votos de todos seus possíveis adversários juntos. Pior ainda, para a direita, é que as pesquisas mostram que a intenção de voto em Lula, não para de crescer; pelo contrário, evolui, de forma inversamente proporcional aos ataques, acusações e condenações – sem provas – que vem sofrendo da parte da justiça golpista, com amplo apoio e divulgação da imprensa burguesa. Em outras palavras, quanto mais atacado e cercado pela direita e pelas armações judiciais comandadas pelo “Mussoline de Maringá” – o juiz Sérgio Moro -, mais apoio popular Lula recebe, como se manifesta também e com maior clareza, nas ruas e no mundo real, por todo o País.

Outro dado relevante desta primeira pesquisa foi que ela apontou que o presidente Temer está prestes de alcançar 100% de rejeição, com apenas 3% de apoio e que 79% dos entrevistados preferiam o governo da presidenta Dilma Roussef, que a imprensa burguesa – e suas pesquisas – procurou apresentar como “a maior desgraça da história do País”.

Por outro lado, e contraditoriamente, uma segunda leva de pesquisas, divulgadas, nesta segunda-feira (dia 2), aponta que, supostamente, a maioria do povo brasileiro – 54% -, gostaria de ver Lula, não subindo a rampa do Palácio do Planalto, mas atrás das grades. Estas pesquisas também indicam que 89% das pessoas estariam a favor de que a Câmara autorize o Supremo Tribunal Federal (STF) a analisar a denúncia por organização criminosa e obstrução de Justiça apresentada contra o presidente Michel Temer,  que poderia levar a seu afastamento e, posterior, impeachment.

As pesquisas, não por acaso, soam como um alarme para  conjunto das forças burguesas que se unificaram para dar  golpe em 2016, cujas divisões se aprofundam, na mesma intensidade que avança a crise econômica e que fica evidente que o golpe serve, acima de tudo, aos interesses do grande capital internacional que, além da expropriação dos milhões de explorados brasileiros, buscam, com o golpe, conter a relativa expansão de certos monopólios brasileiros no mercado internacional e abocanhar uma maior fatia do mercado nacional.

Elas vêm à tona, e não por coincidência, dias após importantes chefes militares virem à público anunciar que estão organizando um golpe militar, justamente sob o pretexto de que é necessário “afastar da vida pública” pessoas acusadas de corrupção, entenda-se claramente: Lula.

Nestas condições, as “pesquisas” estão longe de serem um mero estudo estatístico acerca do pensamento do povo brasileiro, em um dado momento. Como todas as pesquisas divulgadas pela burguesia (depois de devidamente manipuladas de acordo com seus interesses circunstanciais),  o que se divulga corresponde aquilo que se quer mostrar. No caso, “os números” do Datafolha estão repetindo na linguagem matemática o que os gorilas das FFAA afirmaram em seus discursos e entrevistas anteriormente e que é percebido por uma parcela cada vez mais ampla da burguesia: o golpe de estado em sua fase atual está esgotado diante da profunda e crescente rejeição popular ao regime atual (governo Temer) e aos seus ataques contra a imensa maioria da nação “reformas” trabalhista e da Previdência, congelamento dos gastos públicos, privatizações etc.). Nestas condições, se nada for feito -afirmam os militares e confirmam, supostamente, os números das pesquisas – virá “o caos”, ou seja, virá a reação popular contra os ataques e, como parte dela, uma possível vitória de Lula (no caso de que as eleições sejam realizadas).

Está claro que setores decisivos do golpe de estado que derrubou Dilma, como as Forças Armadas, a imprensa golpista e as alas mais reacionárias do judiciário golpista (STF, Sérgio Moro etc.) atuam de forma sistemática e combinada para  impor a necessidade de encontrar uma “saída” para os seus interesses e que esta passa (na maioria das alternativas analisadas, se não em todas) pela prisão de Lula e pelo aprofundamento da ditadura atual, incluindo um golpe militar.

Nesta situação, de enorme gravidade. Fica evidente que a esquerda encontra-se mergulhada em uma brutal confusão pensando nas eleições, que tem grandes chances de sequer ocorrer ou de se dar em um quadro de profundo controle da direita, seja por meio do golpe militar ou por outros mecanismos que a transformem em uma verdadeira fraude, inclusive, sem a participação de Lula, servindo apenas para dar uma falsa aparência democrática ao regime golpista.

É preciso dar uma intensa luta política para não deixar que esta confusão, influencie os que querem e podem lutar contra o golpe. É preciso realizar com toda energia uma campanha preparatória, de denúncia do golpe, com uma ampla agitação entre os trabalhadores e a juventude, nas ruas, nos locais de trabalho, estudo e moradia.

Não adianta apelar pela “legalidade”. O caminho para enfrentar e derrotar o golpe, em todas as suas facetas, é a mobilização dos explorados e de suas organizações de luta.

A única possibilidade de impedir a “saída” que a direita quer impor é através da mobilização popular unitária, contra o golpe, principalmente, das organizações de massas da classe trabalhadora e dos explorados, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Frente Brasil Popular (FBP), o MST, CMP etc. e os partidos de esquerda contrários ao golpe. Uma questão central para impulsionar essa mobilização é a organização de milhares de ativistas, trabalhadores e estudantes que se encontram dispersos e, de certa forma, desorientados por conta da confusão política que domina a esquerda que aponta com saída para a crise atual a fracassada política de colaboração de classes e entendimento com a burguesia golpista, seus partidos e até com os chefes militares.

A tarefa fundamental e primeira é impulsionar os comitês de luta contra o golpe, com centros de reagrupamento do ativismo classista e de todos os setores dos explorados que querem lutar contra o golpe e sua ofensiva.

É preciso intensificar a campanha de rua (d0s “mutirões”), organizar atividades nas fábricas e outros locais de trabalho e usar estas iniciativas para impulsionar e multiplicar os comitês e a participação no seu interior.

A mobilização em torno da convocação do ato do dia 11 de outubro, em Brasília. deve ser tomado como uma iniciativa fundamental de mobilização para deslanchar uma ampla mobilização contra o golpe militar e pela derrota de todo o golpe de estado.

A experiência recente, com as várias derrotas dos trabalhadores em lutas isoladas (PEC 55, terceirização sem limites, “reforma” trabalhista, “reforma” do ensino médio etc.) comprovaram que o golpe só pode ser derrotado por meio de uma mobilização unitária; que de nada adianta esperar por eleições em 2018  (que não estão, de forma alguma, garantidas).

Todos à Brasília, dia 11, pela anulação do impeachment, nã0 à prisão de Lula, não a golpe  militar, revogar t0das as reformas golpistas e medidas de ataques aos trabalhadores.

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