Em tempos de iminência de um golpe militar não esquecer os 25 anos do massacre do Carandiru

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O dia 2 de outubro de 1992 deverá ficar muito tempo na memória da população carcerária brasileira. Uma ferida que ainda não cicatrizou e ainda revela a brutalidade e falência do sistema prisional no país. Segundo órgãos oficiais, neste dia, foram executados covardemente 111 presos da Casa de Detenção do Complexo do Carandiru por 325 policiais da Tropa de Choque da PM. O pavilhão nove, onde ocorreu o massacre, tinha 2600 presos, dos quais 80% ainda aguardavam sentença, além da maioria acusada por conta de pequenos assaltos. Esse episódio ficou mundialmente conhecido como “Massacre do Carandiru”.

Rascunho automático 67

Depois de 25 anos da carnificina perpetrada por agentes do estado, o sistema penal (policiais, tribunais e prisões) continua a matar, torturar e violar todos os direitos de presos e seus familiares. O massacre no maior presídio da América Latina foi esquecido propositalmente pelo Estado porque massacres já fazem parte do funcionamento do sistema prisional. Penitenciárias são feitas para torturar e matar. Após o episódio, foram elaboradas inúmeras políticas públicas para conter a crise que se estabelecera. O resultado foi um aumento assustador de encarcerados no país, além de milhares de mortes que ocorrem diariamente dentro dos presídios que ninguém fica sabendo.

O Carandiru havia sido projetado para abrigar 3300 detentos. Entretanto, no dia do massacre, estava com mais de 7 mil presos. O presídio foi desativado e começou a ser demolido em 2002, na gestão do tucano Geraldo Alckmin (PSDB) e a política adotada, logo após, foi a de construção de mais presídios em cidades do interior paulista, além de incentivar o encarceramento em massa da população pobre e negra. Atualmente, contamos com o mesmo governo e com um aprofundamento da crise carcerária, principalmente em São Paulo.

O golpe de Estado vem delineando-se para um golpe militar com um forte viés fascista. E as chacinas, execuções sumárias, mortes sob custódia do Estado, tortura generalizada, tudo isso sob a cobertura da imprensa burguesa e a proteção de um Judiciário fascista, faz com que sejam gerados novos “carandirus”. Ao relembrarmos o Massacre, devemos também refletir o que foi feito pela direita que controla o sistema penal até então. A ferida está aberta e longe de cicatrizar, pior, está evoluindo para uma infecção generalizada.

Não devemos nos esquecer também que, em setembro do ano passado, os 74 PMs, condenados no ano de 2013 e 2014, tiveram anulados suas sentenças pelo TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). Ivan Sartori, desembargador e relator do processo, votou ainda pela absolvição dos policiais. Em seu parecer, afirmou que “não houve massacre, houve legítima de defesa e cumprimento do processo pela Polícia Militar”. O coronel e deputado estadual Ubiratan Guimarães, condenado a 632 anos de prisão, foi absolvido por esse mesmo tribunal em 2006.

A violência da época do massacre do Carandiru agora vem se institucionalizando com a iminência de um golpe militar. Sabemos o que os militares fazem contra a população pobre. Eles trazem sofrimento, morte, matança, carnificina e horrores inimagináveis.

Esses assassinos covardes, que mataram pessoas desarmadas no Carandiru, são vistos como heróis por suas corporações e pela direita burguesa. Não devemos jamais esquecer o Carandiru, esse massacre deve lembrar sempre do que são capazes os militares.

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