Censura à arte complementa o golpe militar

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O golpe militar, anunciado pelo general Hamilton Mourão e confirmado por declarações de outros generais, não é um acontecimento isolado. Ele é parte do aprofundamento do golpe de estado dado pela direita que começou antes da derrubada da presidenta Dilma Rousseff.

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A ameaça de intervenção militar vem acompanhada de fatos como a recorrente censura a artistas que aconteceram nas últimas semanas: primeiro a censura à exposição de arte que tratava de temas LGBT no Rio Grande do Sul, graças à pressão dos fascistas do MBL e com o aval do Judiciário golpista. Essa ação abriu o caminho para outros vários casos de censura à arte, inclusive com ação direta da polícia e do Judiciário. Nem precisaram mais dos meninos fascistas do MBL.

Na semana pasada, foi a vez de uma exposição no MAM (Museu de Arte Moderna) em São Paulo ser atacada pelos fascistas. Grupos de extrema-direita foram até o local para “protestar” contra a obra La Bête do artista Wagner Schwartz. A alegação seria o “conteúdo erotizante” da obra na qual o artista se apresenta nú. Funcionários do museu foram agredidos pelos fascistas e a obra acabou sendo retirada (ainda não sabemos se voltará a ser exibida).

A manifestação dos cachorros fascistas não foi isolada, mas apoiada pelo Ministério Público, que entrou com representação contra a obra de arte, e pelo prefeito de São Paulo, João Doria, que afirmou que a obra era um atentado à liberdade de expressão (seja lá o que isso signifique).

O fechamento do regime político como o que estamos presenciando, com uma ditadura cada vez mais aberta do Judiciário e com a ameaça concreta de golpe militar, nunca vem desacompanhada de manifestações fascistas como as que estão ocorrendo. A censura à arte, assim como a censura em geral, é uma condição para que os golpistas sejam bem sucedidos em seus ataques ao povo. É preciso acabar com todo e qualquer tipo de expressão. É preciso colocar o povo na maior escuridão possível para que ele não enxergue o que está acontecendo.

A censura na arte é apenas um dos aspectos e uma pequena amostra da ditadura que vem por ai caso os militares coloquem em prática seu plano de golpe.

A única maneira de enfrentar o fascismo nas ruas e no Estado é a mobilização do povo, dos trabalhadores. Por isso, a formação de comitês de luta contra o golpe é fortalecer um instrumento que organize a luta, como o ato em Brasília dia 11 de outubro contra o impeachment e contra o golpe militar.

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