A luta contra a corrupção é o pretexto para golpe militar

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O discurso feito pelo general e membro do alto escalão do Exército Brasileiro, Antônio Hamilton Mourão, nesta última semana, apresenta mais uma vez o pretexto ideal para todos os golpes de Estado no mundo: a luta contra a corrupção. Ele afirma, se os corruptos não forem punidos, os militares serão obrigados a intervirem no cenário político. Além de uma ameaça, Mourão firmou uma frente única entre a esquerda pequeno burguesa que defende a luta contra a corrupção com a extrema-direita.

Rascunho automático 67

A corrupção, em geral, para estes setores, da esquerda a direita, é a questão fundamental da situação política. Mas o que Mourão quer dizer? Que se o regime político não der conta da corrupção eles irão intervir e, na verdade, esta intervenção é justamente o resultado da suposta luta contra a corrupção que defendem, mesmo a esquerda.

Essa luta sempre se torna justificativa para golpes de Estado, foi pretexto para o golpe contra o governo de Dilma Rousseff, do PT, apesar de que até o atual momento não conseguiram provar absolutamente nada contra a presidenta eleita, mas sob a cobertura desse “combate”, criaram um ambiente de desmoralização da esquerda para aprovação do impeachment. Agora, os militares vão usar a mesma alegação da corrupção para dar um golpe, desta vez militar, que também por trás carrega outro motivo.

E já avisaram, esse golpe vai fazer parecer o golpe de Temer brincadeira ou passeio de criança.

A situação se tornará insustentável. Se os militares tomarem as ruas, eles não irão seguir nenhum critério parlamentar, do que é legal ou ilegal, como defendem setores que afirmam que a intervenção será breve. A condição ficará extremamente ruim para toda a esquerda, o movimento operário e popular. Somado a isso e sob a cobertura do exército, toda a escória direitista também sairá às ruas para atacar as sedes partidárias, de sindicatos, os militantes.

Estão limpando o terreno que está bastante sujo. Neste sentido, não adianta fechar os olhos ou se esconder, pois a ameaça é real e iminente. O próprio general avisou que se for necessário essa ação muitos problemas irão aparecer, ou seja, será necessário fechar partidos, prender lideranças de esquerda, fechar sindicatos, matar, torturar, entre muitas outras situações, decorrentes do chamado “caos”.

Não se pode ter certeza de futuras ações, se já decidiram pela intervenção, se vão esperar por eleições, se a crise tem saída, mas a postura de um partido político, de dirigentes políticos sérios, não pode ser a de esperar, de observar o desenvolver da situação sem reação.

É necessário sair às ruas, organizar em todo o País, em centenas de cidades, fábricas, escolas, universidades, comitês de luta contra o golpe de Estado, exigir a anulação do impeachment e manter-se mobilizado. Não é hora para fingir que nada acontece, mas mobilizar o mais amplamente possível.   

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