Estudante baleado vira pretexto para repressão na UFG

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Na última segunda-feira (18) a Universidade Federal de Goiás (UFG) proibiu a realização de festas em seu interior. Tal decisão veio como resposta à morte do estudante Ariel Ben Hur Costa Vaz, que cursava Ciências Ambientais, baleado na noite do dia 15, último sexta-feira.

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A festa “Calourada Integrada 2.0” havia sido organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) juntamente com as Associações Atléticas e Centros Acadêmicos da universidade, com apoio da Associação dos Docentes e do Centro de Convivência, visando o acolhimento e integração dos novos alunos. As outras edições do evento aconteceram em local fechado, o que foi proibido neste ano pela administração da universidade. Outros entraves inéditos, como a contratação de empresa de segurança, de banheiros químicos e finalização da festa até as 23 horas, foram impostos para encarecer e dificultar a realização da confraternização.

Segundo informações divulgadas pelo próprio DCE, a confusão e os tiros teriam começado no exato momento em que a organização anunciou o fim da festa – às 22:40horas. A Polícia Militar foi chamada e não interviu na ocorrência, afirmando cinicamente que precisaria de autorização federal para agir. A ambulância solicitada ao corpo de bombeiros levou cerca de 40 minutos para chegar.

As informações prestadas pelo DCE mostram que a administração da faculdade, que impôs diversas exigências aos organizadores da festa, não se preocupou em solicitar uma ambulância para permanecer no local da festa. A Polícia Militar, por sua vez, resolveu seguir à risca suas atribuições legais, deixando um baleado e indivíduo armado no meio de uma festa por não portar autorização federal que permitisse o ingresso. É notável o fato de que a mesmíssima PM invadiu a UFG, há poucos dias, com a desculpa de conter um tumulto causado por um estudante, já no interior da instituição, tomou celulares de pessoas que gravavam a ação truculenta e ainda deteve uma professora e um estudante. Antes mesmo deste fato, durante a Greve Geral de Abril/2017, a PM feriu gravemente outro estudante da UFG. Em todas estas oportunidades a polícia não foi legalista.

Poucos dias após a morte do estudante Ariel, a Universidade resolveu utilizar a tragédia para atacar as organizações estudantis. A proibição de festas no campus, além de dificultar interações e o levantamento de fundos para o DCE e as Atléticas, nada mais é do que a porta de entrada para outras repressões de maior monta. Sob o argumento falso de “ação em prol da segurança”, o objetivo final é tornar o interior da faculdade um ambiente estéril a qualquer agrupamento de estudantes.

A morte do estudante, aliás, é bastante oportuna à reitoria da universidade, já que há menos de um mês, reuniões foram realizadas com a intenção de construir uma base da PM na Praça Universitária localizada entre a UFG e a PUC-Goiás.

Fica claro que a segurança nas universidades, a vida dos estudantes e a própria manutenção dos institutos públicos de ensino superior são fatos totalmente sem importância. Não fosse assim, o Governo Federal não teria cortado 40% da receita às Federais para este ano de 2017. Todas as ações das autoridades cumprem a única função de desarticular e reprimir ainda mais os estudantes.

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