Em palestra, General do Exército pede intervenção militar

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Durante uma palestra realizada no último dia 15/09 em uma loja maçônica, em Brasília, o General de Exército Antonio Hamilton Mourão declarou que as Forças Armadas podem intervir para solucionar o impasse da corrupção que a justiça não conseguir resolver. “Mourão disse que poderá chegar um momento em que os militares terão que ‘impor isso’ [ação militar] e que essa “imposição não será fácil”. Disse ainda que seus “companheiros” do alto comando do Exército avaliam que ainda não é o momento para a ação, mas ela poderá ocorrer após “aproximações sucessivas” (Folha de SP, 17/09).

O General aproveitou o fato de ter sido convidado a palestrar em um ambiente não só conservador, mas também profundamente reacionário e direitista (as lojas maçônicas estiveram na linha de frente das manifestações direitistas que apoiaram o golpe de estado em 2016 contra a presidenta eleita Dilma Rousseff), para expressar sua posição sobre uma possível intervenção militar, a pretexto de colocar “ordem na casa”, na hipótese do judiciário fracassar em “solucionar o problema político”.

“Até chegar o momento em que ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso”. Ainda de acordo com o General, “o Exército teria planejamentos muito bem feitos”, embora não tenha revelado detalhes (idem, 17/09).

Em outubro de 2015, Mourão já havia criticado o governo da presidenta Dilma Rousseff, tendo sido transferido de Porto Alegre, onde servia, para Brasília, por determinação do Comandante Geral do Exército, Eduardo Villas Bôas.

Mourão falou por quase 1 (uma) hora e durante sua intervenção não poupou críticas à constituição de 1988, que segundo ele “garante muitos direitos para o cidadão e poucos deveres”. Mourão atacou também a classe política, no melhor estilo dos coxinhas direitistas que infectaram as ruas do país em 2016.

A verdade é que as declarações do General não podem ser vistas como mera opinião de um elemento subalterno de menor importância dentro da armada. Mourão estava inclusive uniformizado durante a palestra, além de estar acompanhado de outros oficiais representantes da força terrestre do Rio de Janeiro e Santa Catarina. Ele ocupa o cargo de Secretário de Economia e Finanças, responsável pelo gerenciamento dos recursos.

Questionado sobre as polêmicas declarações, o oficial procurou dar uma outra versão, dizendo que foi “mal interpretado”.

O que fica claro é que não há golpe de Estado – seja ele de que natureza for – sem o apoio dos militares. Embora os generais não tenham estado de forma ostensiva e direta na linha de frente do golpe de 2016, os golpistas, em todos os momentos, contaram com o aval das Forças Armadas para levar adiante a operação golpista contra o governo eleito.

Rascunho automático 67

A única forma de se opor de maneira consequente não só ao golpe, mas também contra qualquer ameaça de intervenção militar é através de uma ampla mobilização popular, exigindo a anulação do impeachment e colocando na ordem do dia a luta pela revogação de todas as medidas contrárias aos interesses do povo trabalhador.

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