Janot quer cancelar delação de Joesley

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Rodrigo Janot, procurador-geral da República, determinou na última segunda-feira (04) a abertura de uma investigação que pode cancelar o acordo de delação premiada de três delatores da J&F, Joesley Batista, Ricardo Saud e Francisco de Assis Silva. A decisão foi tomada após a análise de um áudio entregue a procuradoria no dia 31 de agosto.

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Segundo Janot, o áudio revela indícios de crimes gravíssimos cometidos pelos colaboradores, bem como de terceiros e outras autoridades, que incluem nomes relacionados ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No áudio, gravado em 17 de março, Joesley e Saud conversam sobre o envolvimento do então procurado Marcelo Miller, que estaria “auxiliando os interlocutores, inclusive a pretexto de influenciar a decisão”, do procurado geral da república, “em futura negociação para negociação de delação”.

Após a data, Miller deixou a procuradoria e começou a trabalhar como sócio da empresa de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, que foi contratada pelo grupo J&F, para negociar o acordo de leniência na área civil. Miller deixou o escritório em julho.

Janot não revelou nomes do STF que foram citados no áudio, mas encaminhou a Edson Fachin, relator da lava jato, uma petição, que entrega ao supremo a decisão de publicar, ou não, o a conversa.

O que este novo fato revela é que o judiciário, ao contrário daquilo que a grande mídia prega, é tão corruptível quanto os outros poderes. Joesley, da mesma forma que comprou políticos, comprou também juízes, já que tem o interesse é o mesmo: dinheiro.

Os acordos de delação premiada, como o de Joesley, servem nesse sentido, muito mais para inocentar a quem interessa, que como colaboração para investigação e as decisões de Janot – bem como do STF – são mais ligadas a questões políticas que éticas, apesar dos motivos ainda não estarem bem revelados.

A burguesia, com o golpe procurou desenvolver uma propaganda que elevou o judiciário a uma condição imparcial, em condições de arbitrar a situação política de maneira isenta. Passando assim uma ideia de que os juízes não estariam interessados na política corrupta que estava instalada.

Porém, fatos como este áudio revelado e a decisão de Janot evidenciam que sempre foi e continua sendo um poder tão corrupto quanto os demais e a serviço de interesses burgueses.

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