O voo de galinha do crescimento via consumo

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Foi divulgado na semana passada o resultado das contas nacionais do último trimestre, com um mísero resultado “positivo” de 0,2%. O gabinete e a imprensa golpistas tentam ver nesse indicador o sinal de uma possível recuperação na economia do país. Porém, mesmo os especialistas consultados pelos golpistas admitem que se trata de uma “recuperação bem mixa”: algo digno de que se “solte bombinha e não um foguete

Rascunho automático 67

Tenta-se com isso vender à população a ideia de “fim da recessão”, e de uma possível resposta do mercado à política econômica entreguista e contra a população levada a cabo pelos golpistas.

Nada mais longe da realidade. Como os próprios analistas de direita reconhecem, trata-se de um crescimento baseado em um reduzido e temporário aumento do consumo. Sem gastos qualificados do governo, sem investimentos reais, sem criação de novos meios de produção, sem redistribuição de renda, sobretudo, este crescimento baseado no consumo das famílias é um verdadeiro “vôo de galinha”.

Consome-se mais hoje não devido ao um aumento da renda da população, mas sim devido à liquidação de algumas reservas de fundos sociais, como a liberação indiscriminada do FGTS no início de 2017, ou a vindoura liberação do Pis/Pasep para 8 milhões de idosos.

Como se sabe, o objetivo da direita golpista é quebrar o País para vendê-lo barato, é desqualificar os serviços públicos para privatizá-los, é precarizar o trabalho do funcionalismo público para demiti-lo e terceirizá-lo. É atacar a população, enfim, para melhor explorá-la, gerando maiores lucros para o grande capital internacional e “nacional” que patrocinou e dirige o golpe de estado.

Prova de tal estratégia foi a própria aprovação do novo Regime Fiscal em dezembro de 2016, congelando os investimentos públicos por 20 anos. O atestado final são as demais “reformas” em jogo, a trabalhista e a da previdência: retirar direitos da população para piorar suas condições de trabalho e dela extrair o maior lucro possível, a ser encaminhado para o setor financeiro. A indústria responde diminuindo sua produção a patamares de 2009.

Não se deve confundir este ligeiro aumento do consumo com a grande capacidade de compra da população brasileira atingido há pouco mais de dez anos. Naquele caso, o aumento do consumo era fruto de uma pequena redistribuição de renda e do aumento no índice de empregos.

Não há perspectiva de investimentos reais, porém, que de fato aumentem a capacidade produtiva do País hoje. Trata-se simplesmente de extrair mais lucro do sistema existente: de tornar o Brasil um mero mercado consumidor, com mão-de-obra barata.

Não há cenário de recuperação real de longo prazo possível com base nesta política de fundo recessivo e privatista. As condições de vida da população tendem a retornar aos patamares super rebaixados da década de 1980.

 

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