Golpistas querem retorno dos manicômios

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O movimento da reforma psiquiátrica antimanicomial ou, como também costuma ser chamado, luta antimanicomial é um movimento que existe no Brasil há algumas décadas e que é composto principalmente por trabalhadores da saúde mental, usuários dos serviços de saúde mental e também os familiares desses usuários. A principal palavra de ordem desse movimento é “por uma sociedade sem manicômios”.
Os manicômios no Brasil, durante muito tempo (e especialmente durante a ditadura militar), foram a única forma de atendimento ofertada a pessoas que sofrem de transtornos mentais. Durante o regime de 1964 eram enviados para essas instituições, além das pessoas que sofrem de transtornos mentais, tuberculosos, hansenianos e também, é claro, os inimigos do regime.
No entanto, no Brasil, desde a aprovação da Lei 10.216, de 6 de abril de 2001 (também conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica), que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental, e posteriormente, com a conquista de outras legislações que atendiam as reivindicações da luta antimanicomial, vinha sendo reduzido o número de leitos em hospitais psiquiátricos e sendo implementada uma rede de serviços substitutivos em saúde mental. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) é um desses serviços substitutivos.
Importante esclarecer que o novo modelo que se buscava implementar, também chamado de RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) não desconsiderava a necessidade de internação, mas estabelecia que deve haver leitos de saúde mental em hospitais gerais, evitando assim, a segregação desses pacientes.
Agora, entretanto, os golpistas querem impor o retorno ao modelo manicomial. O coordenador nacional de saúde mental, álcool e outras drogas, Quirino Cordeiro, defende o retorno do modelo psiquiátrico manicomial.

Rascunho automático 67

O coordenador indicado pelo governo golpista, considera que as taxas de ocupação nos leitos de saúde mental em hospitais gerais, que é de 15% é muito pequena, enquanto os hospitais psiquiátricos geralmente trabalham com todos os leitos ocupados. Ou seja, para Quirino os leitos deveriam estar todos ocupados, independente de haver ou não necessidade de internação.

A direita lança mão desse discurso demagógico para afirmar que o retorno ao modelo manicomial poderá oferecer um melhor atendimento. Isso é uma mentira sem tamanho. O que os golpistas querem é fazer como a ditadura militar fazia: trancafiar seres humanos e dar a eles um tratamento pior do que o que é dado aos animais, especialmente se esses seres humanos forem inimigos do regime golpista.

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