A reforma política é para a direita ganhar eleição

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Já estamos há algum tempo às voltas com a chamada reforma política. Como quase a totalidade dos processos golpistas, a posterior alteração das regras políticas seria uma espécie de cereja no bolo do golpe. Assim sendo, já ouvimos falar de cláusulas de barreira, de voto distrital, distritão misto – seja lá o que isso signifique – e muito mais. Porém, existe um verdadeiro impasse sobre todas as propostas, inclusive a cria um fundo de campanha bilionário como alternativa ao financiamento privado, que aparentemente favoreceria todos o congresso.

Campanha Financeira 3

Em todas as propostas o objetivo comum é afastar a maioria da população das decisões políticas. No nosso caso, afastar algo que já está muito longe. Assim, a cláusula de barreira seria, por exemplo, uma segurança para todos os partidos médios e grandes do regime, uma vez que estes seriam cristalizados como os únicos partidos permitidos.

No caso do voto distrital para o parlamento, em substituição ao modelo proporcional, a anulação dos votos de todos os candidatos que ficarem abaixo do primeiro em cada distrito é das proposta mais anti-democráticas que já teve notícia. Se isso for associado com outro balão de ensaio lançado pelos golpistas, o chamado semi-presidencialismo –seja lá o que isso signifique na boca deles – voltaremos há um simulacro tão democrático quanto a ditadura militar no Brasil.

Nesta quinta-feira, dia 31, o jornal o Estado de S. Paulo, um dos principais porta-vozes da burguesia nacional, publicou um edital que serviria muito bem na página de tirinhas ou naquelas piadinhas de fundo de jornal. Segundo o jornal golpista, o que tem atrapalhado as reformas, e, em destaque, a reforma na previdência, seria a oposição. Entretanto, o próprio editorial é uma enorme contradição, pois cita as denúncias do Procurador Geral Rodrigo Janot como empecilho às propostas de Temer.

Ora, Estadão, Janot não é da oposição, do PT ou do PCO, pudera. Janot representa uma série de interesse que estavam diretamente ligados e comprometidos com o golpe de estado contra Dilma Rousseff. Porém, esses interesses são muito grandes dentro da camada dirigente, o que leva a uma fragmentação dos pontos de vista e divergência entre as propostas. Como solução, propõe o Estadão, devemos aprovar, pelo menos, a reforma na previdência.

Como já exposto pelo Jornal Causa Operária, existem diversos interesses e grupos que disputam o poder do Governo e do Congresso. Basicamente, existem os partidos, parlamentares e membros da justiça ligados diretamente ao imperialismo norte-americano e os partidos e defensores dos interesses da burguesia regional e paroquial.

Esse dilema, entre o interesse Yankee e o que poderíamos chamar de Coronelismo, também é o principal responsável pelos seguidos rombos nas contas públicas assinados por Temer. O cobertor está ficando cada dia mais curto para cobrir tantos pés e tantas cabeças.

É preciso ter clareza de que depois da votação fatídica na Câmara que afastou Dilma da presidência, a esquerda do Parlamento foi anulada, passou a ser mero coadjuvante. Esse fato se consolida nos resultados inversamente idênticos entre o impeachment a última denúncia contra Temer. Logo, se as reformas estão aquém do desejo dos vende-pátria e também estão aquém dos desejos dos carcamanos isso revela a dificuldade de encontrar um acordo entre esses interesses.

O Estadão se descabela dizendo algo mais ou menos assim: precisamos encontrar algum acordo pra destruir as aposentadorias dos trabalhadores. Nessa celeuma, é como se um dos maiores porta-vozes do golpe estivesse tentando abrir mão de alguns pontos para flagelar seu inimigo principal, a classe trabalhadora. Editoriais com esse, comuns nesse jornaleco, mostram o poço sem fundo da classe dirigente.

Duvido que quem escreva esse monte de besteira consiga acreditar em si próprio. Mais uma vez, a grande imprensa nacional, o maior e mais importante partido político da direita, mostra como seu comportamento é uma eterna campanha publicitária e política. Assim, seguimos tendo um Estadão que parece ser escrito para leitores esquizofrênicos e imbecis, ao mesmo tempo, representando diretamente os grupos que pagam as prensas, também esquizofrênicos, imbecis e anti-povo.

Os trabalhadores precisam aproveitar o dilema da classe dirigente e impedir a destruição e total liquidação das aposentadorias das gerações atuais e futuras. A única língua que a elite entende é mobilização dos trabalhadores nas ruas, nas fábricas, nas escolas, no campo e na cidade em defesa dos direitos da imensa maioria explorada.

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