Desembargadora que libertou presos foi perseguida pela justiça

Compartilhar:

A desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP), Kenarik Boujikian tomou uma decisão democrática e libertou uma série de presos cujo tempo de prisão extrapolava o período previsto na própria sentença.

Rascunho automático 67

A decisão não agradou outros integrantes do TJ/SP. O Tribunal, que é conhecido como a “câmara de gás”, pois depois que uma pessoa é a acusada de um crime, dificilmente escapa da cadeia.

O desagrado dos donos das condenações resultou em um processo de perseguição política contra a desembargadora, que acabou por responder um processo de censura administrativa por conta de sua ação democrática.

Em fevereiro deste ano, Kenarik foi condenada pelo TJ/SP, sob o pretexto de que “cometeu erros procedimentais”, “independentemente de suas decisões terem sido acertadas no mérito”. Ou seja, os covardes censuradores se esconderam atrás de um dispositivo legal para não demonstrar a perseguição política.

O processo chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mas a censura foi indeferida pelo conselho, por nove votos a um, em julgamento realizado nesta terça-feira, dia 29. O indeferimento é mais resultado das denúncias em torno da perseguição à desembargadora que da concepção dos conselheiros, eles mesmos vindos de outras “câmaras de gás”.

A desembargadora expediu alvarás de soltura para 10 réus que estavam presos preventivamente há mais tempo do que a pena estabelecida na sentença. Esses presos “preventivos”, na verdade são pessoas que o Estado não conseguiu provar o crime ainda, a justiça não deu uma sentença e, assim, estão sob tortura nos presídios.

Os 10 presos que Kenarik libertou fazem parte de 34% da massa carcerária que está presa preventivamente. Significaria, se a lei fosse aplicada como o fez Kenarik, a soltura imediata de pelo menos 250 mil pessoas que estão mantidas presas ilegalmente.

Esse pessoal não é libertado em razão do regime jurídico ser controlado por racistas e fascistas como estes que processaram Kenarik, ou gente da estirpe de Sérgio Moro.

artigo Anterior

Chacina de Pau d`Arco: laudo conclui que policiais realizaram matança

Próximo artigo

Procuradoria da República continua perseguindo Joel Brás Pataxó

Leia mais

Deixe uma resposta