Golpistas querem um Brasil tão pobre quanto o resto do mundo

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O imperialismo, que patrocinou e dirige o golpe de Estado no Brasil, pretende aprofundar os ataques ao povo brasileiro em um curto período. O governo golpista pressionado pela sua ala direita, os representantes do imperialismo, promoverá uma política de massacre contra o povo caso não seja barrado. Na medida em que o governo golpista permanece, o imperialismo pressiona e ameaça o governo para que leve adiante as “reformas” de maneira cada vez mais radical. Trata-se de um processo de entrega e retrocesso da economia nacional com graves consequências na vida da maioria do povo brasileiro, como aumento do desemprego e liquidação geral dos salários.

Rascunho automático 67

Como os grandes capitalistas estrangeiros precisam lucrar no mercado mundial para contornar a crise em que se encontram, eliminando qualquer tipo de concorrência, passaram a intervir na América Latina com maior brutalidade, assim como já fizeram no Oriente Médio e em outros países, em busca de vantagens e redução de custos. O imperialismo luta neste momento para conquistar completamente esse mercado, e precisam que os custos de produção sejam cada vez mais reduzidos no País, assim como no mundo todo, ou seja, que o salário dos operários seja cada vez mais baixo.

O programa do governo golpista no Brasil é o programa do imperialismo para os países atrasados em geral. Um programa de liquidação do patrimônio nacional e ataques às condições de vida dos trabalhadores, incluindo o seu direito de se organizar. Os golpistas querem acabar com direito dos trabalhadores se aposentarem, com os direitos trabalhistas e com a educação e a saúde públicas, tudo em benefício dos banqueiros e especuladores.

E não é de hoje. A política econômica neoliberal do PSDB, nos anos 90, fez ao mesmo tempo crescer a lucratividade dos empresários no Brasil e colocar a maioria da população operária em situação de pobreza crônica. Em 1999, 35% da população não tinha condições básicas de vida. Apesar da intensificação do trabalho, isso representou apenas perdas para a classe operária brasileira. Agora, as reformas trabalhista e previdenciária procuram reduzir o valor da força de trabalho ao mínimo. O imperialismo e os golpistas querem impor uma verdadeira escravidão no Brasil, assim como fazem nos demais países.

Um bom exemplo da política imperialista nos países latino-americanos é o México. Esse país foi um dos primeiros a implementar uma legislação trabalhista, em 1917. Porém estes direitos foram sendo “flexibilizados” sobretudo quando o país entrou para a Nafta, Acordo Norte-americano de Livre Comércio. Em 3 anos, a população perdeu 40% do poder de compra. Em 2004, o setor informal já representava 46% dos postos de trabalho. Com essa política, cresceu a falta de segurança no trabalho, a falta de proteção à saúde e a contaminação por produtos químicos nas fábricas. A discriminação contra trabalhadoras grávidas e o abuso sexual viraram prática generalizada nos ambientes fabris. As jornadas de trabalho tornaram-se variáveis segundo as necessidades e conveniências dos empresários, sem pagamento de horas extras. Os trabalhadores puderam ser demitidos a qualquer momento, sem motivo e sem direito à indenização, com alta rotatividade para reduzir ainda mais os salários. Em 2012, o país passou a ser um dos países de menor tempo de férias. Atualmente o salário mínimo mexicano é um dos piores da América Latina, muito abaixo da linha da pobreza e 60% dos trabalhadores não possuem nenhum tipo de previdência social. Cerca de 40% dos trabalhadores não recebem o salário necessário para sustentar a família, sendo que 14% do total recebem menos que esse salário mínimo. Para finalizar, mais de 46% da população encontra-se em situação de pobreza extrema, o que só aumenta.

O que motiva os golpistas a imporem a reforma da previdência são apenas os interesses de uma minoria composta por grandes empresários e banqueiros. No Brasil, que como país atrasado já conta com inúmeras mazelas sociais, quase 50% da população trabalhadora já exerce atividades informais, a ampla maioria da população não tem acesso a creches, escolas de ensino infantil, hospitais, postos de saúde e transporte público de qualidade. Esse quadro é ainda mais grave nos estados mais pobres, onde a informalidade alcança mais de 60% dos trabalhadores.

Dada a situação, são as mulheres que acabam assumindo a educação e o cuidado com as crianças. Isso dificulta que a mulher consiga contribuir para ter acesso à Previdência. Ao eliminar o bônus concedido às mulheres no tempo de contribuição e idade de aposentadoria, as mulheres tornam-se ainda mais reféns da dupla jornada que realizam, no emprego fora de casa e nos afazeres domésticos e cuidado com os filhos. Ainda mais grave é a situação da mulher que trabalha no meio rural. Os golpistas querem obrigar a mulher do campo a contribuir mensalmente durante 50 anos para ter aposentadoria integral aos 65 anos, apesar de ser altamente improvável que ela consiga a aposentadoria, por conta das características da atividade rural. Além de acabar com o bônus de cinco anos da aposentadoria rural, a reforma trabalhista impõe que o trabalhador rural também deverá fazer contribuições mensais, o que é impossível com os regimes de safras e a sazonalidade da produção rural. A maioria dos trabalhadores rurais não possuem renda disponível todos os meses para arcar com a previdência. A reforma vai expulsar os atuais contribuintes e, para quem ainda assim conseguir pagar algum tostão, vai incentivar a migração para a fundos de pensão privados que não garantem o resgate do dinheiro investido e só enriquecem os banqueiros.

A cada dia que passa, o governo golpista adota uma nova medida de ataque às condições de vida da população pobre e trabalhadora. O conjunto dos ataques dos golpistas criarão uma explosão da desigualdade e de pobreza extrema. No entanto, o país é o maior da América Latina e sempre representou um barril de pólvora que pode inflamar todo o continente, organizando uma dura resistência aos planos do imperialismo para a região. Os trabalhadores brasileiros precisam denunciar o golpismo imperialista sem fazer qualquer tipo de concessão à fraseologia esquerdista para justificar a própria capitulação. A classe trabalhadora, nas ruas, com seus próprios métodos de luta, como a greve geral, precisa enfrentar e derrotar o golpe de Estado para barrar o roubo dos salários e uma maior destruição das suas condições de vida.

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