Segundas intenções: imprensa cínica “aconselha” a esquerda a posicionar-se contra Nicolás Maduro

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Porta-vozes do imperialismo aconselham que, pelo bem de Lula e da elegibilidade, o PT siga a política dos setores mais direitistas do Psol.

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A divergência da esquerda brasileira em torno do apoio do governo Venezuela contra a ascensão da direita não passou despercebida pela imprensa burguesa nacional. O apoio do Partido dos Trabalhadores (PT) ao líder bolivariano, seguido pelos maiores setores da esquerda organizada, como o Movimento dos Sem Terra (MST) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), contrapõem-se às desconexas e eleitoreiras opiniões de alguns setores da esquerda pequeno-burguesa.

Obviamente, a exemplo do tratamento ofertado pela imprensa aos grupos brasileiros que se opõem ao golpe de Estado “doméstico”, há uma pressa em dizer que o apoio ao governo de Maduro pode prejudicar o PT como partido. Os mesmos porta-vozes da burguesia, que corroboram a ideia da esquerda “fresca”, afirmando que Lula deve ser trocado por outro líder para que haja uma “oxigenação política”, dizem que o posicionamento do partido afasta possíveis aliados, o que pode – segundo eles – prejudicar inclusive as estratégias da defesa de Lula.

Ora, a imprensa venal brasileira, imperialista, medíocre em suas produções e até em sua insensibilidade manipulativa, serviu de canhão nos ataques que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff. Alimentou boatos, alardeou delações e passou por cima de sigilos processuais com a única intenção de enterrar o Partido dos Trabalhadores. Faz questão de pintar a CUT como um grupo de vagabundos oportunistas e o MST como piratas do interior do país, que saqueiam honestos latifundiários com o único objetivo de enriquecer.

Esse mesmo grupo de abutres inventou argumentos – patéticos, por óbvio – para atacar até o combativo Partido da Causa Operária (PCO), alegando ser este um dos excedentes que merecem ser cortados do campo partidário eleitoral.

Sendo assim, não precisa ser inteligente para entender que as posições avaliadas como “ruins” pelos inimigos da esquerda, indicam o acerto do caminho escolhido.

O que incomoda enormemente a direita é ver o quanto o Partido dos Trabalhadores, que aglutina consigo a maioria dos que temem a nova investida das políticas arrasadoras do neoliberalismo, fortaleceu e clareou suas diretrizes. Temem o despertar das forças esquerdistas da américa-latina contra o imperialismo norte-americano.

Muito mais perspicazes que os sonsos pequeno-burgueses (direita fascista venezuelana), a direita brasileira soube ler nas entrelinhas do apoio do PT ao governo Maduro um recado dado aos setores golpistas brasileiros. Sabem que, se o PT, que figura como favorito nas possíveis eleições de 2018, apoia a radicalização dos venezuelanos para impedir o domínio da direita, é provável que façam o mesmo no Brasil, caso haja necessidade.

A mesma imprensa que “aconselha” a esquerda a não apoiar qualquer radicalização, sonha ardentemente em transformar Lula em um Jean Wyllys – uma negação totalmente desvinculada do movimento operário, com nada mais que um verniz linguístico esquerdista. Sonha em transformar o PT em um Psol, cheio de correntes incompatíveis, sem liderança, sem política definida e, sobretudo, sem importância no panorama político brasileiro e internacional.

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