Votação na Câmara revelou o fiasco da campanha pelo “Fora Temer”

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A votação do processo contra o presidente golpista na Câmara dos Deputados nessa última semana deixou evidente o fiasco da palavra de ordem e da campanha pelo “Fora Temer”. Apesar de a maior parte da esquerda nacional ter centrado fogo, no último período, nessa campanha, e após a abertura do processo contra o presidente peemedebista e a votação na Câmara, não aconteceram, como seria de esperar, grandes manifestações em nenhum lugar do país em defesa da saída de Temer.

Rascunho automático 67

A imprensa golpista não deixou de constatar esse fato. Em parte porque um determinado setor da direita mais alinhado ao imperialismo, como a Rede Globo, gostaria que tivessem ocorrido alguma manifestação no dia da votação que poderia decidir a saída de Temer.

De maneira oportunista, a direita já apresentou as suas explicações para o fato de não terem ocorrido as manifestações. A primeira delas é de que o povo não foi as ruas pois quer que Temer se mantenha no poder em nome da estabilidade política e das “reformas”. Uma justificativa totalmente falsa tendo em vista a enorme impopularidade do atual governo golpista e da sua política de retirada de direitos da população.

Outra explicação dada pela direita, desta vez tendo como alvo o PT, foi de que tanto o PT e a CUT não chamaram as manifestações pois estão à favor de Temer. Mas, como se viu na última quarta-feira, 2, nenhum setor de esquerda chamou manifestações pelo “Fora Temer”.

Na realidade o que esvaziou as manifestações foi o fato da palavra de ordem “Fora Temer”, assim como a reivindicação de “Diretas Já”, serem propostas vazias de conteúdo, o que levou a desmoralização das mobilizações. Se tivesse havido um impulso popular, ou alguma convicção da população no sentido do “Fora Temer” teria havido alguma manifestação.

A confusão política no interior da esquerda levou o movimento que começou a se organizar contra o golpe a uma dissolução. Isso se deu, principalmente, pela política levada a cabo por quase a totalidade da esquerda de defesa do “Fora Temer”.

É preciso deixar claro que tanto a reivindicação como “Fora Temer”, quanto a defesa das “Diretas Já”, não são reivindicações de luta contra o golpe.  Na verdade essa política é como se fosse a volta a uma situação de normalidade institucional. Como se não tivesse ocorrido um golpe de estado há pouco mais de um ano, como se o problema pudesse ser resolvido pela simples substituição de um golpista pelo outro, ou pela realização de eleições dentro de um contexto de ataque aos direitos democráticos do povo.

Devido a essa confusão chegamos hoje ao ponto mais baixo do movimento de luta contra o golpe. É preciso destacar também que vários setores que levaram a diante essa política do “Fora Temer” na realidade apoiaram o golpe contra Dilma, como é o caso da Rede, de determinados setores do PSOL, do próprio PSTU, entre outros.

Houve também a tentativa de aproximar setores de artistas que apoiaram o golpe em torno da reivindicação pelas Diretas Já. As mobilizações se transformaram em verdadeiros shows onde se viu a campanha direitista e coxinha contra os partidos. Campanha destinada contra a esquerda e as organizações operárias que estiveram a frente da luta contra o golpe e em defesa das reivindicações dos trabalhadores.

Após toda essa confusão, a esquerda, a direção do PT, se encaminha para uma outro beco sem saída que consiste em concentrar forças nas eleições de 2018. Tendo como base uma pesquisa divulgada essa semana que aponta que Lula tem mais da metade dos votos e ganharia ainda no primeiro turno. A grande pergunta é: Vai haver eleições em 2018? Determinados setores dos golpistas, e o próprio Temer, já falam, por exemplo, em modificar o sistema de governo e instituir o parlamentarismo.

A reforma política dos golpistas visa retirar a esquerda de qualquer participação eleitoral e concentrar o poder nas mãos da direita. Essa reforma pode levar a que não haja mais eleições diretas, ou até mesmo a um regime ainda mais restritivo.

O esvaziamento da mobilização contra o golpe, em torno do “Fora Temer” e das “Diretas Já”, apontam, por outro lado, ao fortalecimento da campanha pela Anulação do Impeachment. Devido a confusão anterior, uma boa parte das pessoas, ativistas, militantes estão se esclarecendo sobre a necessidade de lutar contra o golpe, e essa luta passa, nesse momento, pela defesa da anulação do impeachment.

Já está sendo impulsionado um abaixo-assinado para uma ação popular em defesa da anulação, um ato também está sendo chamado para outubro. É preciso desenvolver um movimento de luta geral contra os golpistas e contra o imperialismo. Nesse sentido, é preciso formar também os comitês de luta contra o golpe para reagir a ofensiva da direita.

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