Ex-Pantera Negra, Angela Davis defende a luta contra o encarceramento na Bahia

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No dia 25 de julho, a militante e ex-integrante do Partido dos Panteras Negras, Angela Davis, foi convidada a participar de um evento na Universidade Federal da Bahia, em homenagem ao Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha.

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Davis, aos 73 anos, guarda uma vasta experiência com o movimento negro dos Estados Unidos, mas também com o resto do movimento espalhado pelo mundo inteiro, tendo viajado para vários países, feito palestras e apresentado seu ponto de vista sobre o atual problema do negro no mundo. Ela também integrou as fileiras do Partido Comunista dos Estados Unidos.

Nesse sentido, um dos pontos fundamentais da intervenção de Davis nessa atividade na Bahia foi a questão do encarceramento em massa de negros. A ex-pantera negra afirma que: “se reconhecermos que aqueles que queriam resolver a questão da escravidão buscavam formas mais humanas de escravização, nós estaremos utilizando o raciocínio do racismo. Reconhecemos que a reivindicação da reforma do sistema policial e da reforma do sistema carcerário apenas mantêm as estruturas racistas ao mesmo tempo em que finge se importar com as questões raciais. É por isso que dizemos não ao feminismo carcerário e sim ao feminismo abolicionista”.

O problema carcerário foi um dos aspectos centrais da intervenção de Davis, denunciando, inclusive o sistema penal norte-americano: “o Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo, estou correta? Sendo a primeira nos Estados Unidos e depois vêm Rússia e China. Os Estados Unidos está aprisionando um quarto da população carcerária de todo o mundo. Se olharmos para a população carcerária feminina, um terço está encarcerada nos Estados Unidos (…) essas pessoas não têm acesso a moradia, educação, saúde ou qualquer outro serviço que seja necessário para a sobrevivência. A rede carcerária mundial constitui um vasto depósito onde pessoas consideradas sem importância, são descartadas como lixo. Aquelas tidas como as menos importantes são as pessoas negras, do sul global, muçulmanos e muçulmanas, indígenas”.

A discussão que Davis levanta é de extrema importância tendo em vista o longo período em que o movimento negro e de mulheres, além de boa parte da esquerda, apelou para o reforço punitivo do Estado para conseguir suas reivindicações, tornando crime (acionando o aparato repressivo da burguesia) condutas como machismo, homofobia, racismo, etc.

A reflexão da ex-pantera negra tem como base a situação que ela mesma viveu, durante os anos de perseguição aos negros nos EUA, a luta pelos direitos civis, pelo direito de autodefesa, etc., mas também a atual realidade que o país vive, na qual a quantidade de negros mortos pela polícia só aumenta, como também aumenta o encarceramento em massa daquele país, com o agravante de que nos EUA, ao contrário do Brasil, a população negra é minoria.

O golpe de Estado aqui no Brasil e o avanço da extrema direita nos EUA trás de volta toda a discussão e a necessidade dos Panteras Negras, de resistir de maneira armada ao racismo policial, do direito a autodefesa e da necessidade de organização do negro, em conjunto com os trabalhadores, contra a repressão do regime, contra os golpistas e a direita.

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