Contrato intermitente, a escravidão ao gosto do patrão

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O recém criado “contrato intermitente” determina que o empregado fique em casa esperando o empregador chamar para trabalhar. E isso na hora em que o patrão quiser, conforme as conveniências dele, inclusive em dias e horários que não estavam previamente combinados. No tempo vago, o empregado não recebe nada.

Rascunho automático 67

Antes da mudança na CLT, era possível contratar em jornadas parciais, como de seis horas diárias ou de alguns dias por semana, sem qualquer problema. Nesta situação, o empregado sabia que podia contar com o salário combinado e tinha conhecimento dos dias em que teria de trabalhar.

Agora, o empregado não vai saber nem mesmo quando terá que ir trabalhar. Vai ter que ficar sempre à disposição do patrão, esperando ser chamado. Ou seja, enquanto o trabalhador estiver amarrado em um contrato intermitente, é claro que ninguém vai querer contratá-lo para trabalhar no período livre. Ou será que alguém vai ter coragem de chamar um empregado que, a qualquer momento, vai ter que largar tudo e ir bater cartão em outro lugar?

A lei até prevê que o empregado teria o direito de se recusar a atender ao chamado do patrão, e que esta recusa não poderia ser motivo para punição. Mas o que acontece com quem não obedece a ordem do seu empregador? Todo mundo sabe: ou vai direto para a rua ou enfrenta perseguição e humilhações até pedir as contas.

E tem mais. Se o empregado aceitar ir trabalhar, mas acontecer um problema e não der para ir, vai ter que pagar o patrão! É isso mesmo: o empregado vai ficar devendo o valor de meio dia de serviço para o patrão, se ele não conseguir ir num dia combinado.

Enfim, o governo golpista conseguiu o que queria: criou um tipo de emprego formal que só dá garantias para o empregador. É tão ruim para o empregado que acaba sendo até pior do que não ter a carteira assinada.

Na prática é a formalização do bico. Ou pior ainda: é um bico em que você fica preso na mão do patrão. E isso sem garantia nem do salário. Então é o seguinte: se alguém chamar você para trabalhar em um contrato intermitente, corre que é furada!

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