Apoio à Venezuela, sem medo da imprensa, é sinal claro de amadurecimento

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Em demonstração de lucidez e posicionamento de autodefesa, as principais organizações de esquerda apoiam a Venezuela Bolivariana.

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O amadurecimento da esquerda brasileira, ocasionado, em grande medida, pelo cada vez mais sensível impacto material do golpe de Estado nas condições de vida da população, pode ser medido pelo repúdio a toda manobra imperialista ao redor do mundo. O impeachment de Dilma Rousseff, a investida violenta da direita na Venezuela, bem como a destruição de todo líder minimamente nacionalista do Oriente-Médio que não se curva ao domínio norte-americano, são faces de uma mesma moeda.

Contudo, a defesa de uma luta que transcende o comodismo da democracia burguesa é simplesmente incabível para a classe-média cirandeira nacional. Neste sentido, o apoio às eleições constituintes convocadas por Maduro é um marco nítido de quem é esquerda pé-no-chão e quem se diz de esquerda apenas por revolta pueril ou para fins eleitorais.

Por isso, não espanta ver que Partido dos Trabalhadores, a Central Única dos Trabalhadores, o Movimento Sem Terra e outras grandes organizações da esquerda saíram da letargia pós-golpe. Deixaram de lado o medo da imprensa burguesa, passando a apoiar a luta de Maduro para romper as apertadas amarras da influência estadunidense, que intenta promover um arraso ainda maior que no neoliberalismo dos anos 80/90.

Além disso, diversos setores do PSOL, além de técnicos pequeno-burgueses, como advogados, sociólogos e economistas, também tiveram o bom senso de apoiar a causa do vizinho latino-americano, que muito dialoga com a destruição promovida pela direita no Brasil.

Os meios de comunicação progressistas já calculam que a vitória de Maduro, se consolidada, servirá para engrandecimento do nacionalismo de toda a América Latina contra o bloco dos países opressores. Tal benefício abarca desde a moral e sentimento nacionalista do povo até incrementos reais em questões econômicas. Por óbvio, quanto menos espaço se dá à ação sanguessuga dos norte-americanos, apoiados, no caso da Venezuela, por empresários e outros lacaios burgueses, maior é o montante de riqueza a ser dividido pelo povo. O mesmo foi verificado no Brasil, que, sob a égide do governo nacionalista de Lula e Dilma, mesmo norteado pela insustentável conciliação de classes, conseguiu diminuir consideravelmente o número de mortos pela fome.

Ainda assim, algumas figuras vis esquerdistas, das que emitem religiosamente a opinião da grande imprensa não sem antes revesti-la com uma fina poeira rubra, mostram indignação ao regime que foram amestrados a chamar de ditadura. Figuras como Jean Wyllys e o Movimento Negação da Negação (MMN) podem ser definidas por uma palavra: lunatismo. Deveriam ter coragem de abandonar os grilhões que os prendem aos signos da esquerda e debandar de uma vez para a direita.

Ora, se há um consenso de que a fome dos venezuelanos é causada por manobras dos opositores, como exigir que o governo desista, o que invariavelmente os fortaleceria? Se há diversas evidências de que os mesmos promotores do golpe brasileiro fornecem armas aos direitistas antibolivarianos para disseminar o caos, como exigir que Maduro recue? Não há como se denominar de esquerda e não repudiar a direita venezuelana. Não há como ser de esquerda e não apoiar, agora, Nicolas Maduro. Não há e nunca houve terceira via.

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