Onde está seu Deus?

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Na quarta-feira (12 de julho de 2017) foi aprovado no Senado o projeto de reforma trabalhista do governo golpista. No dia seguinte, em celeridade recorde, as novas leis que substituem a Consolidação das Leis do Trabalho foram sancionadas pelo usurpador Michel Temer.

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A aprovação não se deu sem protesto no próprio Congresso. Senadoras ocuparam a mesa da presidência e impediram que os trabalhos fossem abertos. O presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), ordenou que as luzes do plenário fossem apagadas, mas as senadoras Lídice da Mata (PSB-BA), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Sousa (PT-PI) entre outras, resistiram.

Elas colocaram em questão a destruição das garantias legais que a CLT previa para os trabalhadores. Mas um ponto para elas foi fundamental; o destaque que as senadoras defendiam dizia respeito à proposta de que grávidas e lactantes poderão trabalhar em locais insalubres. Gleisi Hoffmann, atual presidenta do PT, disse que as senadoras ocuparam os lugares para dar “palavras as mulheres”.

A dita reforma é um dos objetivos dos golpistas. Há muito tempo a burguesia busca “modernizar” as leis trabalhistas. Essas mudanças são muitas vezes justificadas com uma suposta defesa daqueles que estão sendo prejudicados. É o caso dessa questão das gestantes e lactantes.

Segundo o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), relator do texto na Câmara dos Deputados, a lei atual que protege as mulheres grávidas e a própria gestação “tem provocado situações de discriminação ao trabalho da mulher em locais insalubres, tanto no momento da contratação quanto na manutenção do emprego”. O que seria das mulheres sem a direita para defender seus interesses?

Na lei sancionada por Temer, elas poderão continuar trabalhando em locais insalubres, desde que apresentem um atestado médico liberando. O “poderão” e o “desde que” são a pegadinha. É como se as mulheres quisessem trabalhar grávidas e em locais de risco, mas malvada CLT as impedissem.

A lei anterior, que foi sancionada por Dilma Rousseff em 2016, dias antes de ser afastada da presidência da República, era um recurso, um direito ao qual as trabalhadoras poderiam recorrer. O que os golpistas estão fazendo é acabar com esse direito das mulheres, dando ao patrão a possibilidade de impor o trabalho insalubre às gestantes baseando-se em um laudo, elaborado por um profissional escolhido por ele, claro.

Muitas coisas poderiam aqui ser ditas apenas destacar os problemas que as mudanças representam para as mulheres, mas para além dos ataques dos golpistas aos direitos dos trabalhadores, o desmonte da CLT como apenas uma parte do que estão fazendo com o país e o povo, tudo isso foi dito para chegarmos a uma questão muito interessante: onde estão os defensores do feto, “defensores da vida”, neste momento? Votando a favor dessas mudanças.

Como vi de uma companheira militante no Facebook: “os que juram amar e proteger o feto, a ‘vida’, a qualquer custo votaram a favor da retirada do direito da mulher gestante de ser realocada em caso de trabalho em condições insalubres”.

Um exemplo é o senador Magno Malta (PR-ES). Entusiasta das leis que restringem os direitos das mulheres em nome de uma suposta proteção da “vida” daquele que não nasceu, como ele votou e comemorou a aprovação da destruição dos direitos trabalhistas, incluindo essa parte que justamente coloca em risco não apenas as mulheres, como o feto.

Uma coisa interessante vem a mente. Segundo a Bíblia, Jesus disse que não é possível servir a dois senhores. Quando atuam contra os direitos das mulheres, falam em nome de Deus, apesar do Estado Laico, estariam defendendo o feto em nome de Deus e querem mudar as leis sob essa perspectiva. Então, a quem estão servido quando defendem leis como a reforma trabalhista que coloca em risco o mesmo feto que dizem defender apesar de qualquer consequência para as mulheres?

Perguntaria: onde está seu Deus? Não é possível servir a dois senhores, o que nos leva a crer que o Deus em questão são os patrões, a burguesia.

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