PCB: nem prende Lula, nem solta, nem muito pelo contrário

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Em tempos de polarização das forças políticas, supõe-se que os setores tidos como “radicais” da esquerda teriam interesse em intensificar ainda mais o contraste entre o lado de lá e o lado de cá do conflito.

Rascunho automático 67

Afinal, quanto mais nítida a imagem na mira, mais preciso será o tiro, correto?

Não é o que parecem pensar os dirigentes do PCB.

Perante mais uma ofensiva dos golpistas, o “partidão” continua com uma política sem foco para o caso Lula. Se dizem contra a prisão, mas não deixam de fazer sua habitual altercrítica, e atacam a política conciliatória que Lula levou à cabo em seus mandatos como presidente. Mordem e assopram, pois só morder seria mal visto, e quem joga para a platéia tem de jogar para todas as platéias. Prestam um “meio-apoio”.

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Com essa política de baixo contraste, o PCB abafa o tema central, que é a injustiça cometida pelo poder mais autoritário da República contra um verdadeiro líder popular, apontando que a política do ex-presidente não os permite fazer uma defesa mais clara.

O ex-presidente Lula foi condenado a nove anos de prisão num processo farsesco, sem provas cabais ou simplesmente provas, que sistematicamente comete atentados ao direito em sessões de tortura psicológica com delatores. Um processo idealizado em solo estrangeiro, propagandeado pela imprensa golpista como uma cruzada contra a corrupção, e posto em prática por uma trupe de palhaços de rodeio em Curitiba.

Lula está na mira dos golpistas, inimigos do povo e lacaios do imperialismo que derrubaram uma presidenta democraticamente eleita. Querem impedir sua candidatura para exterminar qualquer chance de se ter novamente um presidente apoiado nas classes populares, por mais conciliador e burguês que este seja.

O PCB almeja o impossível, o título de sua nota sobre o caso já mostra isso, “PCB repudia condenação de Lula e a política de conciliação de classes petista”, onde por uma lado atacam o ex-presidente, pelo outro o defendem, quando ambas são impossíveis, apenas um ou outro são possíveis.É possível uma organização dizer ” temos nossas diferenças políticas mas sou contra sua perseguição”, agora dizer que “repudio-te mas defendo-te” não é apenas demagogia é centrismo e uma das formas mais puras da conciliação de classes que o PCB tanto repudia no PT.

É uma tentativa de conciliar a posição proletária, defender Lula e todas as lideranças e organizações operárias, com a posição burguesa de perseguir Lula e essas mesmas organizações, e como o próprio “partidão” tentou explicar, conciliação de classes acaba com a vontade da burguesia sendo sobreposta à do proletariado.

Golpe, prisão de dirigentes políticos, não é debate e nem eleição, para ser contra a prisão de alguém tem de ir a rua contra esta prisão, é aí que se separa o joio do trigo.

Afinal, Lula é injustiçado ou um canalha? Para a esquerda pequeno-burguesa vesga, por mais que ela oculte, já está claro: um canalha.

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