Ao artista popular, nossa homenagem

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Quando conheci as primeiras canções de Antônio Carlos, membro da ala de compositores do Kolombolo Dia Piratininga, me chamou a atenção a beleza das melodias de suas canções. Melodias que ficavam ainda mais engrandecidas na voz poderosa do compositor, que não devia nada aos melhores intérpretes de samba. Uma voz poderosa, belas melodias e belos arranjos ficaram gravados em seus três pequenos discos de cinco faixas cada.

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Antônio Carlos, o Tonhão como era chamado pelos amigos, era figura sempre presente nas rodas de samba da ala de compositores do Kolombolo. Militava pelo samba e defendia a bandeira do samba paulista do qual ele mesmo era representante legítimo. E como bom militante, em suas obras ele cantou os amores, as dores e as lutas desse mundo e dessa vida. No samba partido alto Não Sou Malandro, o compositor tenta explicar para algum “doutor” que ele não é malandro que “já ralou de operário, com baixo salário, brigou com o patrão, foi atrás dos direitos, tem testemunha e calo na mão”.

Há uma semana, no último domingo (9), Antônio Carlos faleceu em sua casa, aos 72 anos, surpreendendo a todos. Ele se foi, mas ficaram suas dezenas de composições, suas gravações, o reco-reco que tocava nas rodas do Kolombolo e a lembrança de uma voz poderosa que tivemos o privilégio de ouvir cantando. Tonhão cantou um samba e foi-se embora, conforme ele mesmo já havia nos avisado em Só mais um samba: “Vou cantar só mais um samba e depois eu vou-me embora, obrigado, rapaziada, mas chegou a minha hora”.

Resta aos companheiros do Kolombolo fazerem aquilo a que se propuseram quando fundaram essa agremiação: defender a memória do samba, da cultura negra e popular de São Paulo e do Brasil.

Geraldo Filme denuncia, em seu samba Silêncio no Bexiga, que a morte do sambista não entra na história, “Partiu não tem placa de bronze não fica na história/Sambista de rua morre sem glória/Depois de tanta alegria que ele nos deu/Assim, um fato repete de novo/Sambista de rua, artista do povo/E é mais um que foi sem dizer adeus”, cabe às organizações do povo lutar contra isso e preservar a memória dos verdadeiros artistas.

O verdadeiro artista é um militante das artes e como todo militante defende o que acredita, independentemente dos holofotes. Tonhão era um desses. Ele se foi, mas continuará vivo enquanto continuarmos cantando.

 

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