Greve geral mostrou de que serve a unidade com os defensores do “fica, Temer” e com a direita

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A greve geral do último dia 30, realizada dois dias depois da aprovação do texto oficial da “reforma” trabalhista, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, expressou – mais uma vez – as tendências de luta da classe trabalhadora diante do governo golpista de Michel Temer e de sua ofensiva contra a população explorada e a economia nacional.

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Desta feita – mais claramente – no entanto, a mobilização se deparou com dois problemas políticos fundamentais, que precisam ser enfrentados e superados para garantir o avanço dessa luta no próximo período: a orientação política da greve e a aberta sabotagem de certos setores supostamente favoráveis à mobilização.

Depois do enorme sucesso da paralisação de 28 de abril, que representou um golpe fulminante no governo Temer e, principalmente na sua “reforma” da Previdência, cresceu no interior do setor da burguesia “dona do golpe”  (o imperialismo e seus principais aliados no Brasil) a decisão de “demitir” Temer para colocar no seu lugar – pela via indireta – um novo governo, com maior autoridade política para impor as “reformas”  e o conjunto da ofensiva contra a maioria da população e a economia nacional.

Esta política aprofundou a divisão no interior da burguesia com se viu, entre outros, na votação da cassação da chapa Dilma-Temer, no TSE e na votação da “reforma” trabalhista no Senado Federal. Diante disso, uma ala da esquerda que se posicionou contra o golpe – notadamente o PCdoB e setores do próprio PT – viu a possibilidade de aprofundar sua política de buscar uma frente com setores da burguesia golpista, tendo como base uma posição supostamente mais progressista destes setores diante dos ataques do governo Temer (votando contra as “reformas”, por exemplo).

Esta política acaba por indicar – concretamente – que ou não há condições para derrotar o golpe ou que a “derrota” dos setores golpistas passaria passaria pelo caminho ilusório de um acordo com setores da própria burguesia golpistas, o que permitiria, por exemplo, a saída imaginária de aprovar a antecipação das eleições diretas com o voto de uma maioria esmagadora de deputados e senadores do próprio congresso golpista.

Esta política se opõe pelo vértice ao único caminho real e possível para derrotar o golpe e a ofensiva da burguesia: a mobilização dos explorados, sob a liderança da classe operária e de suas organizações de luta, como já ficou demonstrado à exaustão no ultimo período.

A política de aliança com a burguesia e suas organizações, levou também estes setores a “ressuscitarem” a velha e inútil (do ponto de vista dos trabalhadores) aliança com organizações sindicais que apoiaram o golpe de estado e que defendem, inclusive, a permanência do governo Temer e o apoio ou “negociação” com o mesmo das medas de ataques contra os trabalhadores.

Assim, a frente com a Força Sindical (e demais “centrais” patronais) “colocada na geladeira” ou superada pela luta contra o golpe que colocou a CUT, CTB, PT, PCdoB em trincheiras opostas à da tropa de “Paulinho da Força”  que se juntou ainda mais e publicamente a Aécio Neves, Jair Bolsonaro, José Serra, Eduardo Cunha e toda quadrilha golpista, foi não só reativada pelos setores mais conservadores da esquerda, como o PCdoB e a direita cutista, como foi apresentada como uma condição fundamental para uma vitória dos trabalhadores, sobre o rótulo de “unidade”, como defendido também pela esquerda pequeno burguesa do PSTU-Conlutas ou PSOL-Intersindical.

A mobilização foi marcada pela sabotagem aberta da greve por dirigentes das “centrais” sindicais patronais ligadas às grandes organizações burguesas que apoiaram  o golpe, como a Força Sindical (criada e vinculada à FIESP), presidida pelo deputado “Paulinho da Força” (SD-SP), defensor da terceirização total, das “reformas” e do “dialogo com Temer” e como a UGT, ligada ao PSDB, de FHC, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e João Dória, dentre outros.

A inutilidade ou mais precisamente o caráter negativo desta política ficou explicito na greve do último dia 30, quando este sindicalismo golpista e patronal atuou abertamente para sabotar a mobilização, mesmo não se colocando contra o “dia de lutas” para não tornar ainda mais explicita sua posição reacionária.

As iniciativas foram muitas e os resultados conhecidos. Semanas antes da greve, o deputado “Paulinho da Força” defendeu e praticou a política de diálogo com o governo Temer, trazendo o ministro do Trabalho para  encontro; se reunindo com ele (junto com a UGT) dias antes da greve geral para “negociar” apoio à “reforma” trabalhista e anunciar que vai se encontrar com Temer, ameaçado de ser derrubado. O deputado-presidente da Força declarou até mesmo que vai votar contra a apuração de denuncias contra Temer, figurando como integrante da tropa de choque do governo golpista.

Indo além das palavras, na véspera da greve, em declarada campanha contra a paralisação, o presidente do Sindicato dos Condutores de São Paulo, Valdevan Noventa, justificou à imprensa burguesa a não adesão do “seu” sindicato à greve : ”Nós somos filiados à UGT. A UGT não aderiu e seguimos a orientação” (Portal UOL, 29⁄06⁄2017). O que contribui para que São Paulo tivesse uma das mais baixas adesões à greve do País.

No Senado, depois da vitória parcial na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) da posição contrária à “reforma” trabalhista, o governo aprovou na véspera da greve geral, o seu texto na CCJ, evidenciando que – mais uma vez – que a “pressão” (lobie) sobre os parlamentares não será – de modo algum – suficiente para barrar s ataques e derrotar o golpe. Como também se evidenciou em outras derrotas, como no caso da “PEC 55” (congelamento dos gastos públicos), na “reforma” do ensino médio, na terceirização sem limites etc.

É preciso aprender dessas e outras experiências a lição fundamental de que não há “atalhos” para barrar a atual ofensiva que não seja por meio da luta dos explorados e, principalmente, do seu pelotão de vanguarda – a classe operária – contra o golpe e seus ataques.

É preciso se por as ilusões democratizantes de que estaríamos a caminho do restabelecimento do capenga regime democrático existente antes do golpe, quando a direita não arredou pé – nem por um milímetro – dos seus planos de prender Lula, “eleger” um novo governo de direita, seguir cassando direitos democráticos, intensificar a transferência do ônus da crise para a população trabalhadora etc.

Contra a  “unidade” com a burguesia e a capitulação diante dos golpistas, denunciar abertamente a traição dos fura-greves e defensores do “fica Temer”, chamar os trabalhadores a superarem as direções traidoras das “centrais”  e da esquerda golpista e defender por meio de uma campanha nacional a necessidades de uma nova greve, desta feita por 48 horas (como aprovado no congresso de bancários do Banco do Brasil) com um programa claro de luta contra o golpe e pela derrota integral de todas as “reformas”.

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