A direita tenta ganhar tempo para arrumar a casa

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Durante todo o processo golpista – desde o julgamento do mensalão -, chama a atenção o comportamento da esquerda pequeno-burguesa e seu esforço para negar a existência do golpe. Cada organização, à sua maneira, encontra uma desculpa para não entender a realidade por demais óbvia: a direita pró-imperialista deu um golpe de Estado e conduz o regime político para uma ditadura.

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Organizações mais sectárias, como foi o caso do PSTU, a maior parte do PSOL, como as correntes de Luciana Genro e de Babá, diziam e falam até agora que não houve golpe e que o governo do PT é na realidade a mesma coisa que a direita.

Defendem até hoje o que na época ficou conhecido como “nem, nem” que é a política dos que defendem que não se deve lutar contra a direita golpista, que os trabalhadores deveriam ficar passivos diante da ofensiva da direita para derrubar o governo.

Agora, diante dessa nova etapa do golpe, o setor mais importante da direita se decidiu pela demissão de Michel Temer para colocar no lugar um governo ainda mais coeso no ataque aos trabalhadores. Temer não caiu ainda graças às contradições internas na própria direita golpista. Uma parte da burguesia não quer a queda de Temer, pelo menos não agora.

Enquanto a burguesia não solucionar essa contradição Temer continua e, com ele, a crise institucional. O tamanho da crise indica que ela só poderá ser resolvida com uma medida de força de um dos lados. A Rede Globo, porta-voz do imperialismo e portanto o setor mais poderoso da burguesia, ataca Temer por todos os flancos e o Judiciário, através da Lava Jato, prepara novas investidas na tentativa de forçar a quedo do governo.

A outra opção é a entrada em cena de um enorme movimento dos trabalhadores. Embora o movimento operário esteja longe de uma mobilização decisiva, há sinais importantes de que existe uma tendência à mobilização, como a greve geral, o ato em Curitiba contra a prisão de Lula e o ato em Brasília que obrigou o governo a chamar as Forças Armadas a intervirem.

É nesse cenário que entram as manifestações pelas “diretas já” dos últimos finais de semana. Apresentadas como “manifestações de artistas”, sem partidos, sindicatos ou movimentos, esses atos foram nitidamente impulsionados pela própria direita golpista.

Os jornais, incluindo a rede Globo, divulgaram os atos, algo que normalmente não fazem com os atos contra o golpe. Além disso, toda a imprensa golpista procurava destacar o fato repetido pelos “organizadores” de que os atos não contam com a participação dos partidos.

Entre os “organizadores” que estavam por trás dos tais artistas estavam elementos do PSOL e da REDE, como Marcelo Freixo e Alessandro Molon, além de Guilherme Boulos e o produtor musical, apresentador da Globonews e ex-candidato a vereador pelo PV, Alexandre Yousseff. Tudo em meio a declarações de que “todos são bem vindos” ao ato, “verde, amarelo, todas as cores” e discursos coxinhas de todo o tipo. Esses eram os “sem partido”, como os de 2013 que saíram nas ruas a mando do PSDB para atacar os partidos de esquerda e organizações dos trabalhadores.

Enquanto tenta resolver suas contradições internas, a direita impulsiona esses atos inócuos e que não representam o mínimo perigo. Um movimento sólido contra o golpe como os que aconteceram até agora no momento em que há contradições muito grande dentro dos golpistas poderia colocar o regime em xeque. Em suma, a direita faz propaganda dos atos pelas diretas para ganhar tempo enquanto arruma a casa. Esse é o papel da esquerda pequeno-burguesa, como o PSOL e seus aliados.

A necessidade de excluir os partidos, que na realidade é uma exclusão do PT, é óbvia. É preciso que grupos que não oferecem nenhuma perigo para a direita, inclusive eleitoral, estejam à frente de tais manifestações pelas direitas. Por isso os atos excluem o PT e Lula.

Nesse sentido, é preciso quebrar a tentativa da direita golpista de controlar o movimento contra o golpe através desses atos pelas diretas e retomar manifestações que de fato lutem contra a direita e o golpe. Por isso, o PCO faz o chamado para o ato-debate no próximo dia 21 em Brasília pela anulação do impeachment. Ali, todos os partidos de esquerda, sindicatos e organizações que são realmente contra o golpe são mais do que bem vindos.

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