Nenhuma eleição vai derrotar o golpe

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Em 2013, a juventude vinha apanhando da polícia há anos na luta contra o aumento das tarifas do transporte e pelo passe livre. A violentíssima repressão policial à manifestação do dia 13 de junho deixou inúmeros feridos e mais de 300 detidos. A manifestação convocada pela esquerda para o dia 17 se tornaria um gigantesco ato de protesto contra a repressão policial. Esse ato, no entanto, foi sequestrado pela direita, diluído em uma manifestação “pela paz”, pela “democracia”, enquanto provocadores cobertos com a bandeira verde e amarela gritavam para que os partidos de esquerda baixassem suas bandeiras vermelhas.

Temos uma situação semelhante com a campanha das diretas em relação à luta contra o golpe hoje.

A luta contra o golpe, que reuniu o PCO, o PT, a CUT e seus sindicatos com manifestações de rua desde março de 2015, desembocou em uma enorme greve geral em 28 de abril. Nesse ponto crítico, as forças que combatem a direita golpista devem avançar para uma nova greve geral, que não seja apenas uma greve de protesto, uma manifestação de 24h, mas uma greve por tempo indeterminado, que leve à derrubada do governo golpista.

Surge, no entanto, um desvio, uma infiltração do “democratismo” e do pacifismo inócuo dos protestos cívicos “pela democracia” no movimento de luta contra o golpe.

A que se dirige esse esforço?

Acostumada a viver de ilusão, a esquerda pequeno-burguesa se jogou de cabeça na campanha por eleições “diretas já”.

Não se trata de uma proposta para derrotar o golpe de Estado. Trata-se apenas de eleger um presidente e dar, de maneira confusa, enviesada, legitimidade ao golpe que derrubou Dilma Rousseff. Claro, porque se um golpe derrubou Dilma, uma eleição promoverá a reconciliação, reunificará o país, dizem os mais animados com a campanha.

A menos que Lula seja eleito. Aí, sem dúvida, há motivo para impedi-lo. E os golpistas já estão tentando, não só torná-lo inelegível, como até mesmo prendê-lo. Ou teriam dado o golpe contra Dilma apenas para dar uma nova oportunidade para o PT governar e corrigir os “erros” do passado?

Para boa parte da esquerda que hoje defende as “diretas” nem sequer houve golpe. Não havia, pelo menos, enquanto o golpe estava sendo dado. Alguns foram forçados pelas circunstâncias (a queda do governo do PT…) a mencionar a palavra golpe em seus discursos.

A campanha por “diretas” coloca o golpe no passado. Não é um instrumento de luta contra o golpe. Apoia o golpe.

Tão logo o vento mudou, abandonaram a perspectiva de luta contra o golpe que mobilizou a militância do PT, a CUT, os sindicatos etc. “O golpe foi dado”, assim, no passado. Agora é hora de partir para outra. Outro… presidente.

Os sinais são claros. Em Copacabana, no Largo da Batata, os organizadores frisaram: o ato “é dos artistas”, e não dos sindicatos e partidos de esquerda. Não era um ato para os políticos, como disse Marcelo Freixo, do Psol.

Por quê?

Para trazer “mais pessoas” para a campanha. Para alcançar “outros setores”, inclusive os que “não lutaram contra o impeachment”, não importa se são de esquerda ou de direita. É uma campanha “pela democracia”, como anunciou o cicerone do ato em Copacabana, Wagner Moura.

E novamente, como em junho de 2013, as bandeiras verde-amarelas vão se misturando às bandeiras vermelhas, que já estavam de pé há muito tempo, com um objetivo claro: fazê-las baixar.

impeachment de Dilma marcou o fim da Nova República. O fim do pacto que garantiu a existência de um partido de esquerda de massas, o PT, de grandes sindicatos, da Central Única dos Trabalhadores, da eleição geral, de um regime de aparência democrática trazido à existência pelos que dirigiram a ditadura militar até o fim.

O golpe abriu uma etapa em que a solução do problema do poder político se dará pela força da mobilização das massas trabalhadoras ou pela força dos que se apossaram do leme do Estado. A porta para eleições diretas foi fechada com a derrubada do governo eleito democraticamente.

O caminho que vai da derrubada de Temer, conduzida com cuidado pelos verdadeiros donos do golpe, à eleição por via indireta do seu sucessor coloca em xeque as próprias eleições de 2018. Nem mesmo essas, garantidas pelo pacto da Nova República, estão garantidas.

Rascunho automático 67

Nenhuma eleição vai derrotar o golpe. Só há uma força capaz de fazê-lo, a força das ruas, da classe operária organizada e das massas populares.

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