A arte tem que ter cor e partido

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Denunciamos na semana passada a tentativa de transformar um palavra de ordem que na nossa opinião é um equívoco em palavra de ordem que serve diretamente ao golpe e à direita. As “diretas já” como proposta de uma ala da esquerda, ao lançar uma candidatura de Lula como forma de derrotar o golpe, pode ser uma ilusão e um equívoco, mas é compreensível. As “diretas já” que setores levaram para as ruas nesse domingo, no entanto, é algo muito diferente e já figura na condição de crime político.

Rascunho automático 67

Desde o ato em Copacabana no domingo da semana anterior (28 de maio) até o ato no Largo da Batata, em São Paulo do último do domingo (4 de junho), o tom da convocação e a característica política dessas manifestações foram dados pela imprensa golpista. Sem partidos, sem sindicatos, “todos são bem vindos”, juntar pessoas que “não participam dos movimentos”.

Por trás das “diretas já” a direita golpista impulsiona os atos, colocando de maneira escamoteada a política mais reacionária contra as organizações dos trabalhadores. A mesma que em 2013 infiltrou as manifestações contra o aumento da passagem no transporte coletivo e a repressão policial transformando-as em atos “de todos”, “sem partidos”, “sem sindicatos” e sem trabalhadores, é claro.

A novidade é que essa direita, inimiga da população, maior inimiga da cultura e da arte, se escondeu atrás de “artistas” para conseguir levar adianta sua política coxinha. Para confundir ainda mais, uma maioria de artistas que se colocaram de uma forma ou de outra contra o golpe. Muitos deles que apoiaram as ocupações do Ministério da Cultura quando os golpistas quiseram extingui-lo. É triste dizer, mas, agora, esses artistas estão servindo para o oposto daquilo que defenderam.

A Globo, que já decidiu derrubar Temer, não para as “diretas já”, mas para colocar um presidente indireto ainda mais brucutu, deu destaque para os atos, principalmente ao fato de que partidos e sindicatos não “tiveram participação ativa”. Muito conveniente, não é mesmo?

Os organizadores do ato, melhor chamarmos de show, eram empresários do ramo artístico, comprometidos com o que há de mais conservador. Um dos nomes que aparece é o do produtor Alexandre Youssef, que também é apresentador da Globo, presidente do bloco de carnaval Acadêmicos do Baixo Augusta e candidato a vereador de São Paulo pelo PV. Será que o PV deixou de ser um partido? Claro que não. O PV é um partido de direita que se colocou a favor do impeachment de Dilma e que, portanto, apoiou – talvez não apoie agora porque a Globo não deixa – Michel Temer.

Já que estamos falando de arte, vale também lembrar que o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta é uma espécie de bloco “oficial”. Enquanto vários blocos e cordões carnavalescos eram atacados no carnaval por João Doria, alguns blocos são impulsionados pela rede Globo. O “Acadêmicos do Baixo Augusta” é como os grafites e grafiteiros que se submeteram ao controle de Doria, domesticados. A arte verdadeira passa bem longe dali.

Aos artistas sinceros que estiveram ali, deixamos nosso alerta. Aos coxinhas nosso desprezo eterno.

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