O aprofundamento da crise do regime golpista

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Depois que Michel Temer foi demitido pelos donos do golpe e corre risco de sair do Palácio do Planalto direto para o Complexo Penitenciário da Papuda, tramita nos bastidores da política, em especial no Senado Federal, um acordão que visa, entre outras coisas, um indulto a Temer e a votação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), com o objetivo de garantir foro privilegiado para ex-presidentes, o que significaria que ele não seria julgado pelo golpista Sérgio Moro, mas sim pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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Esse acordão reuniria várias forças políticas e teria como objetivo a saída de Temer sem ser preso e o seu julgamento pelo STF ao invés de Moro, além de garantir foro privilegiado através da votação de uma PEC pelo futuro presidente oriundo de uma eleição indireta.

Mas a questão central não se trata disso. O problema chave é maior. A votação da PEC, que passaria pelo Congresso, a tornaria um contraponto às investidas de Sérgio Moro, os procurados e a operação Lava Jato de conjunto, no sentido de garantir a salvação política dos golpistas que se veem presos nas teias da operação golpista que eles mesmos apoiaram para derrubar o PT.

Essa crise é expressão das divergências em torno do controle do golpe. Nitidamente há um setor da burguesia, que se unificou para derrubar o PT, que agora se vê ameaçado. Esse setor é principalmente ligado ao PMDB e outros partidos mais ligados à burguesia nacional. Essa ameaça se mostra para esse setor tanto do ponto de vista político como econômico. Ficou claro que o rolo compressor do Judiciário não irá poupar os políticos ligados à burguesia nacional e que o regime de exceção instaurado pela Lava Jato coloca em risco os interesses da maioria dos políticos nacionais. Os únicos que estão a salvo, pelo menos por enquanto, são os ligados ao PSDB-DEM, justamente por serem os partidos ligados ao imperialismo e que têm maior controle do Judiciário.

Por fim, é preciso afirmar que a Lava Jato é o suporte do golpe de Estado no Brasil e é aí que mora o problema, porque ela pode ter basicamente dois rumos: primeiro, continuar com as perseguições e o golpe ou, como segunda opção, os setores mais ligados à burguesia nacional que apoiaram o golpe e agora se veem ameaçados, colocarem um freio em todas as arbitrariedades da operação golpista.

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