Um sistema de justiça brutal que não enxerga a dura realidade das mulheres

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Há aproximadamente um mês uma notícia dramática foi divulgada a partir do Distrito Federal. O corpo de um bebê de cinco meses foi encontrado no Lago Paranoá, dias depois a mãe da criança foi presa, por homicídio qualificado. O Ministério Público do Distrito Federal e Território (MPDFT) a acusa de matar o próprio filho. Em entrevista ao jornal Correio Brasiliense, mostrando o desespero que de foi acometida, Elisângela Cruz dos Santos Carvalho, 36 anos, disse “eu fui covarde de não ter ido junto”.

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De acordo com o que foi divulgado pela imprensa local, nos primeiros dias de abril, Elisângela saiu de casa acompanhada de dois dos seus três filhos, um de 4 anos e o bebê, Miguel Santos Carvalho. Ela mora com a família em Santa Maria, uma das cidades satélites mais distantes e pobres do Distrito Federal e foi até a Ponte Juscelino Kubitschek (Ponte JK), sobre o Lago Paranoá, que liga a área central da capital federal ao bairro nobre Lago Sul e cidades satélites como Paranoá e São Sebastião. Em desespero comunicou à família a intenção de se matar; pede perdão e diz que fará “uma viagem sem volta”. Voltou à Santa Maria e deixou o filho de 4 anos em alguma rua próxima de casa. Ela voltou à Ponte.

Dias depois o corpo de Miguel foi encontrado às margens do Lago Paranoá. O Corpo de Bombeiros chegou a fazer buscas no Lago, pois a mãe continuava desaparecida e foi considerada a possibilidade de ela também ter se jogado. Mas Elisângela foi encontrada, ali perto, em cima de uma árvore, “estava desorientada, cabelos despenteados”. Segundo a imprensa local foi levada à 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul) pelo Corpo de Bombeiros ; “entrou pela porta de trás para ser ouvida pelos investigadores” e chegou a ser levada para o Presídio Feminino (Colmeia), que fica na cidade satélite do Gama, próximo a Santa Maria.

Quando o caso foi apresentado pela imprensa, o corpo de um bebê jogado da Ponte, a mãe foi logo julgada e condenada; infanticídio, criminosa, assassina. O Ministério Público em sua sanha acusatória registra o caso como homicídio qualificado.

A tragédia de um bebê morto prevaleceu sobre a história de uma mulher desesperada, com provável depressão pós-parto e deixada pelo marido com três crianças, sem ajuda adequada.

“Em uma sociedade onde a mulher é obrigada a assumir a responsabilidade pelos filhos e o homem não, uma história como essa só pode acabar em tragédia.

“Essa história que poderia ser de muitas outras mulheres, jogadas à própria sorte, levadas à uma situação extrema, sem apoio. Vítima de uma Justiça cega, de um sistema brutal. Elizângela pode ser condenada a ficar 30 anos na prisão”, já escrevemos neste jornal.

Para quem ainda não entendeu, é disso que se trata a luta das mulheres. Quando falamos em direito ao aborto, em emancipação da mulher, em políticas públicas, creches, acesso à saúde e educação, igualdade jurídica, isonomia salarial e tantas outras coisas, estamos defendendo que uma mudança radical, que vai se dar com uma revolução social, uma mudança profunda no sistema opressor, baseado na exploração do homem pelo homem, que define e rebaixa as mulheres como ser humano de segunda categoria.

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