Não às ameaças das forças armadas!

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Raul Jungmann, ministro da Defesa no governo golpista, publicou em sua conta no Facebook um texto dizendo que os militares podem intervir na situação política diante da crise. Trata-se de uma ameaça de golpe militar mal dissimulada. Segundo Jungmann, os militares: Estão preocupados com a perspectiva de, não revertido o quadro de deterioração em curso, se verem convocados a intervir em nome da Garantia da Lei e da Ordem – GLO, art. 142, caput, da CF.”

Rascunho automático 67

Jungmann chegou a anunciar sua saída do governo na quinta-feira (17), mas voltou atrás mais tarde. O outro ministro do PPS no governo, o golpista Roberto Freire, deixou a pasta da Cultura. O recuo aconteceu depois de uma reunião entre Jungmann e os comandantes das forças armadas. Na manhã de sexta-feira, o ministro apareceu com uma ameaça de golpe militar, uma clara ameaça contra o povo brasileiro e o congresso

A ameaça, portanto, parte das própria forças armadas. A crise do golpe se agrava com a permanência de Michel Temer no poder depois de ter sido demitido pelos donos do golpe. O governo Temer foi reduzido a pó pela resistência dos trabalhadores contra as reformas golpistas. Para tentar contornar esse problema, a própria direita golpista tratou de derrubá-lo para substituí-lo e continuar com o programa de alteração do regime político para fazer os trabalhadores pagarem pela crise econômica.

Diante da crise do golpe e da dificuldade da direita para aplicar o programa do imperialismo para o Brasil, os golpistas apresentam a possibilidade de uma solução de força para a crise e para impor sua política contra os trabalhadores, a população em geral e o país. O problema do golpe consiste em excluir a classe operária do regime político e tirar qualquer influência dos trabalhadores sobre as decisões do governo. Esse objetivo não foi alcançado e a crise tende a se aprofundar. A cartada do golpe militar seria para impor uma derrota ao conjunto da classe operária à força.

 

Abaixo, segue íntegra da ameaça publicada por Jungmann:

O principal juízo dos militares sobre a crise parte da constatação de que os atores políticos, legitimados pelo voto para apontar e construir os caminhos da solução, abdicaram do papel que o grave momento nacional lhes reserva e reduziram as enormes dificuldades que se abatem sobre nós a mera luta pelo poder, na sua expressão mais primária. E ao esforço de preservação de biografias que a cada dia se mostram mais indefensáveis.

Reclamam, em síntese, da inexistência de vontade política para o enfrentamento efetivo dos problemas e, em consequência, da incompreensível subordinação das razões de Estado às conveniências político-partidárias.

A visão que eles têm da crise atual pode ser assim resumida:

  1. Estão fechados com o que diz a Constituição e seu papel por ela definido. Nas suas palavras, nada farão fora do que diz o “livrinho” – nem para por, nem para tirar ninguém. Também não aceitarão ou apoiarão aventuras institucionais de qualquer das partes envolvidas;
  2. Entendem, tendo em vista o aprofundamento social e econômico da crise, que cabe aos políticos sua rápida resolução, antes que ela se agrave ainda mais; e
  3. Estão preocupados com a perspectiva de, não revertido o quadro de deterioração em curso, se verem convocados a intervir em nome da Garantia da Lei e da Ordem – GLO, art. 142, caput, da CF.

Convenhamos, a conjuntura lhes dá razão quanto ao temor de um descontrole. O crescente desemprego, a recessão, inflação, colapso fiscal de estados e municípios justifica a preocupação. Ademais, a perspectiva inédita de três anos de recessão, associada à vertiginosa perda de legitimidade do sistema político, de corrupção endêmica do governo e de parte do parlamento, somadas a amplas manifestações via redes sociais, torna cinzento nosso futuro.

Esse quadro poderia ser saneado se a política não fosse refém dela própria, como já dissemos anteriormente.

 

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